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abril 05, 2005

LOOK

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Keith Garv

Se pessoas revelam indícios de cabeça furada e vazando mais que tacho de alumínio gasto e velho, o (ab)uso dos piercings tudo agrava. Nem me enredo em ociosa polémica sobre juízos de valor estéticos. Nada disso. Mas que os orifícios vagos, quando o enfeite caiu em desgraça, me lembram coador de cozinha que pouco retém, é verdade. Como se o corpo esburacado pudesse, a qualquer momento, esguichar fluidos inesperados. Pesadelo que evito alimentar.

Esteticamente, direi que alguns têm gracinha, outros são prometedores, e os que bailam na língua, argolam sobrancelhas ou narizes são obstáculos que não ultrapasso ao dialogar com o respectivo utente. Acto contínuo, a minha atenção centra-se na trajectória linguada ou na oscilação supraciliar do enfeite metálico. E lá se vai a consequência do que verbalizo.

Assumo cair na tentação de fazer brilhar o umbigo. Jeans descaídos e T-shirts subidas estão mesmo a pedir arrebique no dito - colo um brilhante de encher o olho e reflector da luz (arco-íris portátil e apetecível). O colante resiste a uns banhos, e mudo depois para outro de cor compatível com os trapinhos que enfio. Mas furar... nunca! Não furo, não mudo, não encho ou esvazio o património com que nasci. Está dito!

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Com as tatuagens o mesmo. Se em sítios estratégicos e só vislumbradas, reconheço afinarem a curiosidade de ao todo haver acesso. Mas sendo a moda volúvel e a dor mal que evito, arrepia-me a ideia de torturar a pele para lá dos registos fatais que o forno me inflige em cada nova assadura. Sendo que em zonas pudendas a dor é mais certeira, configuro o sofrimento dos que tatuam ou armadilham os genitais. Que apetite ou êxtases acrescentarão?

Publicado por Teresa C. às abril 5, 2005 08:25 AM