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abril 28, 2005

ACQUA_R_ELLAS

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Will Kramer

Um homem, uma tarde de arranjos caseiros. Entre o tilintar das ferramentas e o zumbido das brocas, deslizou a fala. Económica. Pelo meio do trabalho, propus uma pausa. No ruído, na tarefa, na tarde. Aceitou um café. O sol entrava a rodos e subia à janela o odor da terra grávida.

Cereja após cereja que as palavras sempre são, chegámos à mais carnuda: felicidade. “Sou feliz!”, disse com o olhar perdido na colina relvada. O meu silêncio encorajou-o - “Não tenho o que desejo, mas gosto do que tenho e do que quero” Esboçou um sorriso como se o aroma do café e os afagos do sol lhe sussurrassem o «abracadabra» de um reduto íntimo.

Há muito me interrogava de que é feita a felicidade dos simples. Desde sempre sabendo que da mesma massa lêveda dos demais, por muitos complicada na metafísica de oníricas beatitudes. Distantes do real. Não reconhecendo a felicidade, sem, contudo, legitimarem o estatuto de infelizes. Peregrinos ignorando os mosteiros e santuários da caminhada.

Aquele homem conhecia a serenidade. Genuína. Encostei-me ao parapeito, omiti a cacofonia, e senti no meu o pulsar da Terra. Feliz.

Publicado por Teresa C. às abril 28, 2005 08:31 AM