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abril 13, 2005
Açúcar

Will Kramer
Nunca bastantes. A abundância é de escândalo no perfil em que as alinho. O arco-íris está inteiro, porém, as brancas dominam o resto do pelotão. Refiro-me à alvura tentadora das camisas que prefiro. Cetins, sedas engelhadas, algodões finos ou translúcidos. Trabalhados ou lisos. Punhos dobrados, simples ou com atilhos. Todas perfilo no armário e nunca sem préstimo. Se viajo, sem me ater à estação, são as que primeiro dobro e emalo.
Jeans, saia e casaco ou qualquer outra base serve para complementar a finura branca do tecido da camisa. Permito-me envaidecê-las com acessórios improváveis. Favorecem arrojos, que, de resto, nunca abdico, provenham eles do espírito ou do que enfio. Alguns só eu entendo, que à excentricidade ostensiva, rude, digo não. São os discretos, das subliminares mensagens, dos quais maior prazer retiro. A lingerie, destacada levemente e em harmonia com a virginal camisa, é um deles.
Imaculadamente passadas, é rigor que prezo. No engomar nem sou maníaca, salvo camisas. Ao vesti-las, é o cheiro da infância que regressa. Lembro as férias de verão e os linhos cheirosos que forravam camas, de ver roupa corando para que o branco não fosse perdido. O alecrim em arbusto era o estendal que a avó impunha. Assim se fazia. E, ao colar a pele adoçada após o duche à macieza do tecido, é paz que visto. O perfume, como nuvem em que antes penetrei, não é o do alecrim, contudo, é deste o símbolo e dele o cheiro. Como antes.
Publicado por Teresa C. às abril 13, 2005 08:21 AM