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abril 19, 2005

AÇÚCAR

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Spencer Williams

Bento XVI. Da eleição papal não sobrevem surpresa: venceu a linha conservadora e de continuidade, cujo expoente é o cardeal Ratzinger. Há muito, garantira apoios sólidos – cardeais eleitores, diplomacia americana e a Opus Dei. Tão sólidos como o monte Vaticano que alicerça a basílica. A surpresa, e foi magnífica!, reside na espiritualidade que uniu o mundo à agonia de João Paulo II e ao júbilo da eleição. O que globaliza e une é o espírito, não a economia ou os ardis políticos.

Bento XV – veio de Génova, defendeu a paz num mundo em guerra entre os anos vinte e quarenta, condenou heresias, abriu-se a continentes. Corrigirá o bávaro de igual nome pontifício os excessos de zelo de quem lhe herdou o nome? Irá abrir-se ao mundo e ao diálogo inter-religioso? Terá, então, de recuar no que tinha como verdade.

Discordo de Ratzinger quando afirmou: “Não há verdade ou redenção fora da Igreja.” Da interdição dos sacramentos aos divorciados e do mais que por aqui fui discorrendo. Ao conservar, a Igreja regride. Porque acelerou o ritmo dos tempos, preservar pode ser atraso. Distância aumentada. E o mundo ocidental católico contrai-se. Inexoravelmente.

Publicado por Teresa C. às abril 19, 2005 09:36 PM