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abril 10, 2005
Correio Sentimental

Autor que não foi possível identificar
«Desejo adormecido, amor sonolento. Pouco o desperta se foi diminuído a sussurro o tanger da melodia sob a qual outrora explodia.»
O dia nasce, trepa ao cume previsto, suaviza-se pela tarde e põe-se de mansinho. Há dealbares impetuosos nos estios excessivos e ocasos precoces quando a tempestade arriba. Uns e outros entram com mais majestade que fragata no Tejo. O mesmo com os amores – paixões súbitas e amores intrincados como arabescos. Crescendo e pondo-se como o dia.
É pelo meio da tarde que, normalmente, tudo acontece. Ida a madrugada e o pico do meio-dia, o tempo é de sossego. E pode calar o desejo. A previsibilidade ronrona, as cigarras teimam na melopeia, o outro parece milho maduro do qual conhecemos os grãos, é costumado o pisar no restolho que forra o chão. Mal lembramos a brisa das glicínias elevando-se à janela pelo começo da manhã. Na moleza da tarde, há o conforto do certo e a nostalgia do incerto latejando na fundura íntima.
Apetece “sol na eira, chuva no nabal.” Conservar o histórico de um amor e aumentar a liberdade prometedora de colheitas novas com encantos viçosos. Ou prescindir da doçura do entardecer e fantasiar apenas e só madrugadas. Não impossíveis, mas improváveis. Espalmar o dia entre o nascer e o zénite solar. Dos amores querendo começos. A metade de sobra jazida no desdém.
De uma jornada quero tudo. E a renovação em cada amanhecer.
Publicado por Teresa C. às abril 10, 2005 10:03 AM