abril 18, 2005
IN & OUT

Julie Bell
Zorrilla debitou pérola que faz pensar: “Uns para as apaixonar, outros para as conseguir.” Mais parece adágio pelo empirismo e tino… A (des)propósito: em conversa com amigo avisado e de indesmentido sucesso nestas andanças blogueiras, referi, desiludida, o reduzido interesse que despertam os temas por aqui abordados. Avaliação fundamentada no feedback dos comentários. Meia dúzia de mui queridos e resistentes comentadores, e... mais ninguém. Curto e grosso: à maioria dos que me lêem, comentar é tarefa que nem o Menino Jesus arcaria - o da bendita atenção a tudo que, sendo vivo, respira. Pois o tal amigo aprestou-se a conselho – “Verbaliza isso mesmo.” Foi o que agora fiz.
Voltando a Zorrilla. Se a condição da mulher for a da virginal candura nos amores, ou modorra distraída, uma arrebatada paixão é tão natural como apetite por ameixas primícias – satisfeita a gula, deixa rasto. Ele, o deflagrador da gulodice afectiva, destaca-se no horizonte como valoroso pelejador, pintado como herói e outros improváveis atributos, pela certa, imerecidos. Estas alvoradas de paixão raramente chegam a manhã, deixando por vestígios coração escaqueirado e ilusões mais esboroadas que miolo de broa.
Não raro, é curto o luto, quase a roçar a indecência nos preceitos aldeões sobre os meses em que, pelo preto no traje, é medida a dor. Quem, depois, remoçar a alma e acordar o amor, não será já visto com a bruma das cataratas oftálmicas inerentes à paixão. Mas, de mansinho, nela depenicará reservas teimosas, até se tornar suserano amado e protector. Vai daí, nasce condado - relação duradoura engodada no matrimónio -, com direito a legítima descendência e demais regalias.
“Uns para as apaixonar, outros para as conseguir.” Será de Zorrilla a razão?
Publicado por Teresa C. às abril 18, 2005 09:15 AM