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abril 29, 2005
IN & OUT

Bo Bartlett
É sabido que o Inverno arrasta gripes, despesas insanas – o Natal será feito de amor, mas a factura pesa! -, canseiras destemperadas e desperdícios vários. Vai-se a energia de sobra duma vaga memória de férias. Evapora-se a paciência com tanto familiar de pouco ouvido, esticando-nos a voz até picos rivais do Everest. Desaparece a capacidade de ingerir miolo de rabanada que seja. Esfuma-se na ressaca a euforia do Fim de Ano.
Pelas primícias primaveris, julgamos que o pior passou. Ledo engano... Arriba à consciência o pesadelo dos impostos. Desbastam-se recibos e documentos até ao esqueleto seco e peco que contabilistas pressurosos declaram e assinamos. Sem réstia de piedade no calafrio final: o montante da bula.
Remediado o que não tem remédio, é inaugurada a pré-época balnear. Mas não, não é! A Primavera envergonha-se ou tem dislates de teenager inconsequente. Não bastando o que já basta, começa o pessoal a casar. Num repente, descobrimos que o André já não usa «babete» e teve a péssima ideia de nos informar. Que a intrépida Niná decidiu, finalmente!, assentar. A cada mês, engrossa o molho de convites e compra de presentes e quintas e salgadinhos e fatiotas e sapatos estragados na gravilha do chão. Já resignados a tamanha penitência, arriscamos num suspiro – “Se o Beato não tivesse ardido, sempre poupava biqueiras e saltos...”
Publicado por Teresa C. às abril 29, 2005 08:38 AM