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abril 12, 2005

Peregrinando

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Autor que não foi possível identificar

Não quero varandas no mar Egeu. Esquece a villa de Santorini e o mar azul-turquesa. O casario branco e as cúpulas esparsas alcandoradas na falésia. Dispenso o peixe fresco, pescado à beira do restaurante, a praia de areia vermelha e o entardecer em Perissa, o Beach Bar onde aceleramos com a noite. É peregrinar na felicidade que desejo. E é tão fácil ser feliz!... Basta não pedir às coisas e às pessoas mais do que elas podem dar. Então, descobre-se que são diferentes, mais ricas; que são, até, tudo o que procuramos.

Um casal pode unir-se pelo desejo que incandesce sentidos. Pelo elo que os une e faz do acto de amor estação bendita só com bilhete de ida. Mas dois seres podem unir-se sem o menor apetite do prazer, só porque estão a viver em conjunto o que as palavras não descrevem. Experimentámos tudo isto. Como expoente inesperado. Em que curva do amor nos deixaremos abater?

Do desejo é dito correr para o mar como água de rio. Logo, sem liberdade. Necessariamente. Inevitavelmente. A vontade submissa ao imperativo obscuro da química(?), do sangue. Como se cada um agisse ao ditado de outro. E na dança lenta dos gestos, no escorrer do desejo fluidificado por um no outro, nos dois pelos dois, nos lábios e olhos acorrentados, o tempo esvai-se. Enquanto as bocas peregrinam, meticulosamente, no corpo que, não sendo nosso, é.

Publicado por Teresa C. às abril 12, 2005 08:31 AM