« VENENO | Entrada | ACQUA_R_ELLAS »

abril 27, 2005

Trocas e Baldrocas

guy_powers054.jpg
Guy Powers

Ao que é fashion não me nego. Se me adivinhar o gosto corro risco de falências: do cartão e de reservas a um «banho de loja» (luxo que o ócio não prodigaliza).

Tenho cavernas de Ali-Babá a que não faltam os quarenta ladrões que marcam o preço das peças. O “abre-te Sésamo” é raro e veloz - gosto de despachar em menos-de-um-fósforo o que, como prazer, não pode vir atravessado pelo cansaço, desconforto de multidões e gabinetes de prova exíguos. Se somar o secreto apetite pela diferença, os redutos que me atraem são poucos. Vantagens: aceitam, sem pestanejar, a mania por deambulações isentas de assistente de loja, não esquecendo a informação de ter chegado “a tal peça que só pode ser sua” (descarada mentira que relevo).

O que vem ao caso é, contudo, diferente. Chegada a Primavera que a moda inventou em tons vibrantes ou pastel, ao procurar lingerie mimando a cor do trapinho exterior, pouco mais há que os estafados pretos, pérolas, tons de pele e notas coloridas do costume. Um desânimo! Ora, os imperativos femininos encrespam com tal limitação. Verde lima por fora, verde lima por dentro. Fúcsia à vista, o mesmo escondido. Ressalvo o objectivo do contraste, cujo mérito nem discuto.

Senhores industriais do ramo: se no importado a escolha é múltipla, e existindo marcas nacionais que nada lhe devem, não será altura de seguir, sensatamente, as tendências de moda dos criadores? Depois queixem-se que a produção nacional não tem procura... Porque será?

Publicado por Teresa C. às abril 27, 2005 08:32 AM