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maio 07, 2005

ACQUA_R_ELLAS

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Eric Drudwyn

Nunca arranjámos tempo para o tal café. O pretexto para o encontro que selaria a clivagem entre o que fomos e o que teríamos de ser. Quando propunhas uma data, alegava desencontro de agenda. Semanas depois, por isto ou aquilo, persistia na prioridade de tarefas menores. Estrangulava razões e verbalizava outras que o trabalho ou a família impunham. Com o tempo dispensei-as. “Não posso!”, bastava. Dei uma «geral» no meu íntimo e decidi não voltar a ver-te.

E, como meses atrás parecíamos reunir três dons - alegria, amor e eternidade... Ainda que, então, tivesse como inexpugnável fortaleza o nosso abrigo e, em simultâneo, o soubesse assente em manto de água escuro e subterrâneo. Fugidio. Inconsistente. Recusava debruçar-me no poço donde recolhíamos intensidade e desejo. Ver fundo.

Disse-te associar ao final do amor um clique como o de interruptor que desligo. Antes de o accionar, é amarga a incerteza. Como espinho em carne lacerada. É quase sempre uma frivolidade, ou assim julgada por quem de fora assiste, a determinar-me o ponto de não-retorno. Porém, de infinito simbolismo. O outro ignora, eu sei: acabou. E dispenso velório junto à tumba do amor defunto. Desgaste. Frieza. Conflito. Contraponho o tempo que dê nitidez ao filme de que fui protagonista. Com lugar para o tal café amigável e possível avaliação do argumento, desempenho e realização. Connosco não. O nosso filme foi o equívoco maior.

Publicado por Teresa C. às maio 7, 2005 12:07 AM