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maio 01, 2005

AÇÚCAR

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George Ladas

Tens sobre a lareira uma fotografia emoldurada em prata. Ao descobrir, num álbum antigo, os teus onze anos definidos a preto e branco, enfeitiçou-me a menina que vi. Linda, sorridente, com o ar «ratão» que preservas – adoro ver-te pestanejar e transferires para o olhar e lábios a graça que te faz sorrir. Assertiva. Hilariante. Quase sempre uma metáfora impagável. Arriscando ser temível, nunca maldosa.

Usaste tranças até aos vinte anos. A pedido da simplicidade elegante que manténs e da moda do tempo. A aguarela que te captou mais tarde, não difere muito da fotografia. Talvez tenhas trocado o ar divertido pelo sonho que da postura e do rosto escorre. Por esse tempo, estavas enamorada do pai. Casariam nesse ano, como cumpria na tradição familiar. Razão menor esta, nunca a que te moveu. Ou a mim. Antes o desejo, tal como nas mulheres que na família nos precederam, de não adiar um amor e um projecto - de um afecto sólido fazer brotar vida.

Um desejo, mãe: quando «crescer», gostava de ser como tu.

Publicado por Teresa C. às maio 1, 2005 11:04 AM