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maio 16, 2005
BON CHIC, BOM GENRE

Sorayama
“Pode uma mulher sentir prazer ao "levar à cena erótica" uma fantasia de submissão com um homem sem se tornar cúmplice da ordem patriarcal que rejeita e eventualmente combate?" A pergunta veio daqui e deixou-me boquiaberta. Pior, deu asas à imaginação. Sem recorrer a fantasias, chamo à colação o quotidiano.
Cenário: o homem que apetece, a mulher apetecida. Sentidos despertos. Beijos inquietos, nervosos, exigentes. Cresce o abandono lânguido, suave. Os corpos partem à conquista mútua. Sem reservas. Aflorados os seios, provado o sexo quente, ela mordisca-lhe os dedos, passeia neles a língua. Trocados os dedos pelo que é devido, e sentindo-o entumescer, inicia diálogo com a outra que nela habita e dali devia ter arredado.
-“Francamente! Aí estás tu, de cócoras, deleitada com suaves ou profundos sorvos do que ao masculino pertence, assim negando o teu voto de insubmissa.”
- “Não vejo que deitada mude a substância da questão!”
- “Humilhas-me ao aceitares o papel de criatura pronta a receber o que do homem transborda!”
- “Transborda? Qual torneira avariada?”
- “Como escrava do prazer alheio, sim.”
- “E o que sinto enquanto na boca o recebo? Atraiçoa-te também?”
Diálogo improvável. Louco. Mulher que é mulher e tem gosto de o ser, apaga regras e limites ociosos. Manda às malvas o que supostamente é ou não de bom tom. Uma feminista exacerbada, em tudo vendo submissão ou controlo masculino, faz do Kama Sutra um Borda D'Água de algibeira. Pode chegar para os gastos, mas quanta penúria...
Publicado por Teresa C. às maio 16, 2005 10:05 AM