« IN & OUT | Entrada | MURMÚRIOS »

maio 29, 2005

CORREIO SENTIMENTAL

Sorayama 8.jpg
Sorayama

«A própria identidade, o clube e um emprego para a vida eram os vestígios da tradição conservadora, hoje desmantelada e substituída pela precariedade - dos afectos, dos compromissos, dos projectos, da vontade, dos ideais.»

O ser e o clube é o que permanecerá intocado para a metade XY da humanidade. No genoma da fracção marialva está escrito: “muda de fé, de carro e de mulher, nunca de clube!” E assim é, com acentuada relutância para o automóvel e maior displicência para a mulher.

As mulheres são pendulares – mudam bem de quase tudo excepto de marca de fond de teint. Por princípio rendem-se ao que é novo e mais sedutor. O clube depende. Iniciam-se nas lides por via do clube paterno. Sendo o pai castrador, mudam-se para o inimigo fidagal que reuna maior consenso no «grupo». Já adultas, o percurso clubístico depende da meteorologia amorosa - amor em alta e o clube dele é o máximo, nublado e “que se lixe!” andam a par, tempestuoso é o mesmo que dormir com o inimigo.

As mulheres fieis a um clube diferente daquele que anima o parceiro fazem-no, normalmente, como tributo a um outro amor: o pai, o irmão, o primeiro namorado, um amante. Sendo românticas, ficarão tão apegadas ao Nuno Gomes e à águia como à memória do perfume que ele usava. A qualquer deles reservarão suspiro mascavado. As adúlteras, em vez de datar ou nomear factos e amores, dirão com um sorriso enigmático: “Ah!, isso foi quando eu era da Académica...”

Publicado por Teresa C. às maio 29, 2005 06:06 PM