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maio 21, 2005

E DEPOIS, PRONTO!

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Keith Garv

Reavaliar o passado. Ponderar o hoje. Uma decisão. E depois, pronto!, como diz a Clara Pinto Correia. No caso vertente um acto de coragem, optimismo e lucidez. Os holofotes mediáticos ignoraram-no por manifesta desorientação de prioridades - não vejo que a falangeta Marques Mendes e sus muchachos, vomitada pelo ex-autarca-ex-ministro e puTativo candidato à Câmara de Oeiras, mereça tantas e abundantes rosnadelas. Roam então esta: deixei de fumar!

Há anos ruminava a ideia. Cheiriscava-a e largava. Arribando à consciência cada dia mais nítida, recusava assinalar data no calendário. Não lhe queria dar ênfase, não fosse “ela armar-se em fina”, ou fincar-me eu na previsível rebeldia. O parto da decisão foi tão acidental como o dos infantes peritos em trocar voltas às luas – “aqui estou e agora amanhem-se!”

Estava a meio da função – seleccionar, eliminar ou arquivar publicações - quando deparo com mais uma das centenas de brochuras sobre tão aceso vício. Costumo encestá-las, após amarrotadas numa bola. Não desta vez. Recostei-me. Li de fio a pavio. Julgo não cumprir os quesitos para «piquena» dada a Manánices ou Jeovices, mas deu-se o milagre “Meus Irrrrrrmãos!!!” Encandearam-se-me os neurónios com a luz emanada daquele pedaço da pedra filosofal. Dei sumiço aos vestígios da tentação e publicitei o gesto a tudo quanto era vítima próxima, acautelando futuros buracos da vontade.

Se apontar luneta para os fiapos das razões, julgo ter feito do gesto uma mistura de peeling, lifting, aplicação de botox, seguro de vida, conta poupança-reforma, Avé-maria e Padre-nosso. Acto de contrição, nunca! Adorei cada cigarrinho. Mortum Est.

1º «Pronto da situação»:

20/05/05 - Sinais clínicos - Aspirada a última fumaça de nicotina pelas quatro da tarde, a paciente apresentou ligeiros vestígios de síndroma de privação. Não roeu unhas ou endereçou alguém a sítio menos adequado. Recusou a ingestão de bebidas alcoólicas. Até à hora da caminha... no problem!

Medicação - dose diária de vitamina C e chá verde duplicada (de 1,5l para 3l).

21/05/05 – Sinais clínicos - Aparente normalidade salvo as idas regulares ao terraço para respirar como quem fuma. As mãos permanecem desocupadas e não roeu o pau de canela posto à disposição.

Sintomas - Tendo trabalho para cumprir, levou as mãos ao cabelo nove vezes, acumulando em duas delas o escrutínio das pontas espigadas. Tem rumado às várias divisões, observando se as posições das almofadas e quadros se mantêm como há dez minutos atrás. Discurso normal. So far, so good!

Publicado por Teresa C. às maio 21, 2005 10:26 AM