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maio 11, 2005
IN & OUT

Wojtek Sudmak
Há atavios fatais no discurso masculino. Não é à míngua de exemplos mas por contenção nos caracteres, que me detenho num: “elas ao volante são um perigo!” Garanto não assumir como minhas dores alheias e passar-me por Madre Teresa ou Lady Di caridosa. Nada disso! Aturem, por gentileza, três testemunhos pessoais.
Conduzo há muitos anos. Raramente tropecei em multas, coimas ou acidentes (o diabo seja cego surdo e mudo!). Porém, muitos homens perderam o bónus do seguro pelo facto de eu existir dentro de um automóvel. Pequenos «toques» urbanos que, percebi mais tarde, são rentabilizados ao máximo pelos culposos – declaração amigável para aqui e para ali, e lá fica escarrapachado o número do telefone. Inocências... Adiante. As duas vezes que o meu prémio – alguém me explica porque é chamado prémio à tortuosa conta do seguro? – aumentou, deveram-se a dois queridos que decidiram conduzir-me. Só podia!
Coimas tive uma em Coimbra, na Avenida dos Combatentes. Alguém teve a ideia peregrina de colocar, de um mês para o outro, um sinal qualquer espetado no centro de dois pneus sobrepostos. Obviamente, não achei aquela escultura pós-moderna justificação razoável para salamaleques rodoviários. Pois... Já nem a Avenida subi naquele desértico domingo de Maio. Um apito deselegante deteve-me e, como desenfado de ocasião, fui vítima da pedagogia do polícia de giro. Ida a tribunal, carta suspensa, um ror de maçadas tudo à conta de atávico «desenrasca» (masculino!!!!) que plantou no meio da via tal grupo escultórico.
Fui responsável por um único «encosto». Sem a menor das culpas como se verá. Cenário e acção: ameno dia de Setembro com direito a sol, passarinhos e flores; eu... apaixonadíssima, ele, ajoujado pelas saudades de não me ver há horas, rouba-me para almoço. Um casal e dois carros, visto o «após» ter rumos diferentes. Ele à frente, eu atrás. A impetuosidade a que fui deliciosamente obrigada impediu-me o esmero que um almoço romântico impõe. Num semáforo, retoco os lábios, ajeito o cabelo e... o automóvel desliza, paulatinamente, só parando colado ao dele. Nada de especial, salvo um óculo traseiro estilhaçado e uns riscos imberbes, tudo em convergência apaixonada. Ao chegarmos, beijou-me, olhou de raspão os danos no «bichinho» importado com poucos irmãos no país, e seguimos enlaçados.
Publicado por Teresa C. às maio 11, 2005 09:28 AM