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maio 12, 2005

LOOK

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John Kacere

Preto versus branco. Transgressão ou candura. Pós-graduação nas artes do sexo ou virgindade. Extremos do simbolismo erótico. Ambos estimulando a fantasia e, por consequência, o desejo.

Julgo predominante a opção pelo preto do gosto masculino, quando é corpo pecador o apetecido. O negro, ao absorver todas as cores, é a noite a escuridão, o mistério, o ignoto, o risco. Tudo condimentos da exaltação emotiva que aos sentidos agrada. Zorro, Batman, Catwoman, associaram ao negro heroísmo e aventura. O negro como máscara que liberta ao ocultar o «eu». A permitir arroubos, perpetuando devaneios infantis - sem devaneios ou ideais ou fantasias a vida seria, além de curta, pobre.

O branco é virginal. Promete iniciação. Desfloramento. A «primeira vez». E se da mais óbvia temos memória, as outras - a primeira desilusão, primeiro beijo, primeiro amor – não descartamos do património emocional. Diz a ciência que branco é recusa na absorção de luzes (fotões em trânsito). Ora não é o negado o mais apetecido e a deixar em brasa a fantasia? Como se, ao prodigalizar o que nega receber, incendiasse espírito e, por ele, os sentidos.

Entre o preto e branco oscilo sem omitir o resto da paleta cromática. Porque a cada dia há entendimento diverso do que somos. E a lingerie é o que primeiro nos forra e intimamente sussurra.

Publicado por Teresa C. às maio 12, 2005 01:21 PM