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maio 30, 2005

MURMÚRIOS

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Autor que não foi possível identificar

Afastei o cabelo ao abrires o fecho do meu vestido. As tuas mãos deslizaram, escrevendo um poema na forma de carícia. Convocando a forma para reter o momento. Senti a mansidão das coisas no lugar e no tempo parado nas tuas mãos e na minha pele. Senti o silêncio molhado a definir os corpos que as sombras confundiam. O infinito medo de perder a irrealidade em que te converteras e converteras as minhas horas contigo.

Dispensámos vidraças e abrimo-nos às luzes e aos sons da cidade que a madrugada apagava. Tudo e um ao outro possuíamos. Nem o horizonte era limite ou o tempo ou a noite aos poucos recuada. Era nosso o grito enrouquecido como ruído do fogo reatado. E abraçámos pausas. Povoámos os olhos de visões, de espaços e tempos em aberto. Havia qualquer coisa de já vivido, de familiar nos apelos, nos lábios e sorrisos que um do outro bebíamos. Chegados, por fim, à Terra Prometida.

Estranho encontro de horas impossíveis. De palavras ciciadas. Um poema de murmúrios no eterno tempo de te amar.

Publicado por Teresa C. às maio 30, 2005 12:09 PM