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maio 23, 2005

TROCAS E BALDROCAS

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Autor que não foi possível identificar

Anda o país crescido mobilizado pelos «pipis» e «pilinhas» dos mais pequenos. Preocupa alguns pais de família que as escolas tenham papel mais activo no esclarecimento de questões que a sexualidade sempre coloca aos humanos, sejam eles meninos de bibe ou adolescentes com hormonas irrequietas desaguando em borbulhas.

Recosto-me e sorrio, ao deparar com genuínas convicções paternais de que a sexualidade desabrocha e concretiza-se de modo tão airoso e natural como borboleta de crisálida, sob o olhar atento(?) e esclarecedor(?) dos papás. Papás de hoje - baralhados jovens de setenta - que peregrinaram pelos afectos e papéis e posturas e continuam, nalguns casos, tão baralhados como antes. Os mesmos pais que reclamam e esperam que a escola ensine os filhos a estudar, a perpetuar valores, a valorizar o empenho, a disciplina e responsabilidades pessoais. Porque não têm tempo, dizem, delegam na escola competências que à família cabem e seria suposto a escola preservar.

Que tal os curadores da tradição e ideais de antanho optarem pela coerência? Sentindo a escola usurpar domínios reclamados como familiares, sejam responsáveis e cuidem destes e dos outros. Mudem de vida, senhores! Terão de ser menos carreiristas e workaholics. Mais intervenientes na formação dos filhos. Mais presentes no tempo de vigília e não cingidos ao beijo de boa-noite quando a criança já dorme. O fim-de-semana terá de gratificar e, em simultâneo, respeitar como prioridade o acompanhamento escolar efectivo. Detectar dificuldades e procurar a colaboração da escola para que a criança se sinta amparada e confie no sucesso. Nisto, como no resto, a coerência é bonita e recomenda-se.

3º «Pronto» da Operação Cold Turkey

Boletim Clínico

Sinais - A paciente substituiu o chuchar do pau de canela e as inspirações profundas e ritmadas no terraço por vigilância da incipiente curva abdominal. O olhar fixo na barriga não augura nada de bom. Declara não ter sequer vestígio da vontade de fumar.

Sintomas - Foram as vespas e ficaram formigas passeando por cada meandro cerebral. Bebe litros de chá e na sessão do ginásio mostrou desapontamento pela burla dos folhetos anti-tabágicos. A (in)capacidade respiratória mantém-se rigorosamente na mesma. Mandou lavar o automóvel com instruções expressas para que lho devolvessem num brinco e bem-cheiroso (odor a tabaco residual seria penalizada com olhar assassino).

Sugestões complementares de diagnóstico - Continuação da vigilância pela passividade inesperada que revela.

Terapêutica - Dose reforçada de «bicas».

Publicado por Teresa C. às maio 23, 2005 10:25 AM