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maio 31, 2005

TRETAS ESOTÉRICAS

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Bryan Larsen

O povão, a que tenho a honra de pertencer, ao adivinhar borrasca tudo revira para melhor se agachar. Nem se trata de dons divinatórios peculiares dos portugueses, antes esoterismo do tipo Código da Vinci – mensagens subliminares transmitidas de geração em geração por via da atávica categoria de mexilhão.

Ainda se ocultavam no gabinete de Sócrates as linhas para nos coser, e já eu havia decidido deixar de fumar. Uma coisa leva a outra e diagnostiquei-me como vítima da DDI – dependência diária inofensiva. Ao analisar o meu caderninho de merceeiro, constatei evidentes e básicos sintomas.

1. diários
- um maço de tabaco
- dois cafés
- duas garrafas de água
- Público
__________________

3630 euros/ano

2. semanais
- Expresso
- Sábado
- Visão
__________________

450 euros/ano Total – 4080 euros

Se a isto acrescentar os inevitáveis livros, CDs, limpezas de pele semestrais, ginásio, nuances trimestrais, pedicure e máscara mensal, manicure quinzenal, o rombo sobe a 13 500 euros. O «social» tem culpa nesta DDI não indentificada – como mencionar dinheiro é despropósito, acabamos por omiti-lo do nosso modo de estar. Quem pode, está visto!

O estado crítico é atingido quando nos comportamentos nefastos nada parece supérfluo. Passível de ser banido. Confundindo essencial com ocioso. Esquecendo que o prioritário não está à venda – saúde e afectos. Delegando no consumo miúdo a gratificação obtida numa viagem fantástica e na poupança do que restaria.

Ainda assim, a DDI é maleita que confirma vir o frio consoante a roupa. A maioria dos portugueses tem por salário de família as frivolidades de alguns. E nisto não ousamos pensar. Preferimos o entretém do próprio umbigo.

Publicado por Teresa C. às maio 31, 2005 10:32 AM