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maio 02, 2005

Tretas Quase Esotéricas

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Terry Rodgers

Bodas de ouro. Bodas de prata. Aniversário de casamento, ou de namoro, ou de trapos misturados. Dia da Mãe. Dia do Pai. Dia de S. Valentim. Afectos com data marcada.

Obrigam a rituais – almoço/jantar, flores, um presente, quiçá flores e postal. Sem surpresa, que a ideia também não é essa. Experimente-se esgotar a expectável receita num outro dia, se o oficial foi penoso – cansaço, o dia correu mal, a garganta arranha e o pingo cai do nariz. O respectivo sentir-se-á desalentado com a nossa baixa forma. “Sendo o dia que é, podias fazer um esforço...” dirá, enquanto dardeja alfinetes na nossa direcção. Como se fosse moléstia roer a corda donde pendem expecTativas. Mau estar “neste dia!” só com atestado médico ou declaração de entrada numa urgência hospitalar.

À vulnerabilidade ninguém está imune. Ao inoportuno também. Mas porque será que, nestas coisas dos afectos, qualquer contrariedade “naqueles dias” é tida como neglicencia, decréscimo de intensidade ou insensibilidade? Nem o pragmatismo salva: primeiro, a ferida lacera, pensar fica para o final.

Um sofista por vocação unirá factos, enredar-se-á em análises. Fará piruetas com hipóteses gratuitas. Exercícios de retórica que só ao próprio servem. Ressabiados, diz o povo. Ainda assim, piores são os que por astúcia cumprem o menu das datas especiais. Razão tinha o Ballester: “Para os pecados há na alma um belo armazém, que se esvazia todos os anos pela quinta feira santa e depois volta a encher.”

Publicado por Teresa C. às maio 2, 2005 09:56 AM