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maio 05, 2005

VENENO

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Autor que não foi possível identificar

“Retém as tuas palavras perante todos, mas não perante um amigo.” Abu Said

Na música, no bailado, numa peça de teatro há marcações, andamentos, saída e entradas que importa respeitar. Na vida é o mesmo – uma luz pestaneja duas ou três vezes e apaga-se. É o sinal da mudança, a consciência fugaz do seu reconhecimento. Destas luminescências podemos não dar conta imediata. Só a distância dos dias situam o local da viragem, o momento que transformámos um moderato num presto ou num allegro.

É tão difícil abandonar o narrador que nos encobre... É tão fácil metaforizar, fabular, largar pegadas pelos escritos, na contradição do medo/esperança de que alguém se debruce sobre eles e percepcione os nossos passos... E que necessidade é essa de entreabrir frestas no que ao próprio pertence para espíritos alheios o desflorarem?

Sou incoerente: o anonimato oculta-me e desenho a Tati como espelho da mulher que sou. Em que ficamos? Preservo-me ou exponho-me? Porque a prudência espartilha e a cada dia senti mais opressores os atilhos, desapertei-os, aos poucos, até restar um: o núcleo do que sou. E esse não interessa a quem por aqui navega.

A mulher, a autora, a Tati e a narradora. Coincidem aos pares. A Tati narra o que a mulher e autora experimenta, intui e fantasia. Denuncia-as, a atrevida. A narradora é o outro vértice deste jogo triangular. E, como em todos os triângulos humanos, há traição. Da mulher a si própria? Da narradora aventureira que denuncia a Tati e, consequentemente, a mulher? Ou todas numa só – a mulher, a autora e a Tati - legitimando que a narradora dispa o linho fino que as cobre.

TELEGRAMA

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Drew Posada

Ganhe o Sporting, e a Lady Godiva, em versão ecológica (me, je, moi même!), repetirá a proeza da semana passada.

Publicado por Teresa C. às maio 5, 2005 08:20 AM