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junho 11, 2005
CORREIO SENTIMENTAL

Olivia de Berardinis
«Uma mulher nunca perde o pio, tem sempre opiniões e palpites para dar»
Dizem-nos tagarelas. Que falar sem assunto é prenda nossa. Nunca o imperfeito domínio do tema tratado nos silencia. Que a inveja é o combustível do linguajar assassino contra outras mulheres, directamente proporcional ao apreço que elas suscitam nos olhares masculinos. Consta sermos peritas em descrever tudo, até à presumida lingerie, de uma mulher com quem nos cruzámos meio minuto, contudo incapazes de informar o resultado ao intervalo de um jogo de futebol.
Poderá ser tudo verdade numa convincente abrangência do universo feminino. Adoramos ser assim e, subtraindo os picos anedóticos, é sinal da nossa boa saúde emotiva. Suspeito é o silêncio. Entre amigas desvanece-se em minutos, perante um homem pode durar e durar e durar... mais do que pilhas Duracel. E quando o silêncio se instala, cada dia somando camadas, fica muro alto e espesso. Blindado. Ouvimos o que é dito, porém esbatido pela lonjura. Responder seria esforço penoso - o cansaço impede-nos. Um grito manifestaria vontade – não existe. Em qualquer caso ficaria o eco perpetuando a emoção – morreu.
Publicado por Teresa C. às junho 11, 2005 11:43 AM