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junho 28, 2005

CORREIO SENTIMENTAL

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Terry Rodgers

«Mulherio, estamos feitas! Homo, metro e tecno. Desejam tudo e todos, excepto... uma mulher!»

Ia a criação avançada quando apareceram uns seres pouco jeitosos, distintos dos demais pela posse de cérebros pensantes. Mamíferos ditos primatas por pouca-muita coisa: plantígrados, mamas peitorais e polegares opostos. Abrangidos pela classificação: símios, lémures e homens. Destes, eles e elas foram brotando aqui e ali numa Terra, então, grande demais. Harmonizava-os a sobrevivência e prolongamento da espécie. Heterossexuais, portanto.

Percorrida a órbita da Terra biliões de vezes a mais que a de um pião, são mencionados humanos homossexuais. Mais eles que nós, mas enfim, na mulher ninguém se detinha, assim ela parisse e zelasse pelos filhos. Por esse tempo, iniciação sexual de um homem com outro era useiro e, após década e pouco de existência, ninguém se atinha à idade antes de encaminhar o essencial para o posterior de outrem. Passando a puberdade, os homens acumulavam mulheres e machos sem que daí ao mundo viesse escândalo.

Mais uns zénites solares e eles tornaram-se oficialmente nossos, sendo visto de esguelha «desvio» ao que manda a Santa Madre Igreja. Não fosse o cheiro nauseabundo que deles, presumo, emanasse, já que banhos era coisa de gente rica e fina, teria sido para o mulherio época prazerosa de acumuladas odes, louvores, cantigas, anéis de cabelo, presentes e mimos. Tudo nós merecíamos em período de acasalamento. Depois, os prazeres minguavam. Vantagem: campos e castelos vastos para nos acolherem lágrimas, gemidos e suspiros.

As coisas entortaram logo no século passado. Os amantes dos detentores de sexo semelhante proliferaram, correndo risco de diminuição da espécie. Elas constataram ser sábia uma de duas atitudes: grudarem num homem a tempo e horas, ou entrarem na estatística do Woody Allen: ser mais provável que uma mulher acima dos «inta» se depare com um ataque terrorista do que com homem para ajuntamento.

Neste século, tudo piorou. Aos homossexuais juntaram-se os metrossexuais - sensíveis, cremosos e mais consumistas que nós - e agora os tecnossexuais - de aspecto cool, obcecados por tecnologias, gadgets, verdadeiros peixes num mar hi-tech. Há que fazer como o Sócrates e encarar a crise de frente, só que para melhor e com tino. Quem tem homem a sério guarde-o e chame-lhe seu, embora me pareça egoísmo sem futuro. Não tarda, repartiremos um por quatro ou mais. Vendo o lado positivo, nem está mal pensado: uma trata dos fatos e fica com o romantismo, outra para as camisas e os beijos sem defeito, a terceira para as peúgas e preliminares, a última para os boxers e acto. Depois, rodamos no dia da semana e na parte que nos cabe, não esquecendo a sequência correcta. Pois se já agora, eles raramente fazem tudo junto e bem!

Publicado por Teresa C. às junho 28, 2005 09:10 AM