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junho 22, 2005
HISTÓRIAS DE (DES)ENCANTAR

Autor que não foi possível identificar
Tenho glorificado finezas dos machos que tornam legitima a presunção deles serem por aqui tão louvados como zurzidos. Nem de propósito: surge um de Mirandela a desequilibrar a estatística.
Dá-se o caso deste homem prezar da mulher o exclusivo e não aprovar que dele ela se apartasse por rores de tempo. Tudo sem a prender em casa, ou impedindo-lhe o livre respirar. O pressuroso marido cuidava-lhe, outrossim, do necessário à vida, desde o alimento à presença, como cumpre num casal abençoado pelo prior, ela de branco, ele de fato e laço, lenço no bolso e cravo ferido por alfinete na lapela, com direito a saudação de mãos atulhadas de flores e arroz. Par tão bem nascido, não se ata para desatar depois.
No povoado onde viviam, granjearam estima. Não fora nefasta refeição após a qual os sogros se despediram do genro e amada filha, com quem viviam, e debandaram rumo ao Criador, diria que do povo acumulavam estima e respeito. Ficaram-se os conterrâneos pela distância respeitosa(?), providenciando não partilharem a hospitalidade do casal.
Soube-se agora que a mulher foi mantida uma semana acorrentada a um poço, nua (o calor tem sido de aperto!) alimentada e hidratada. Pão ou bolachas – nisto as vizinhas não acordaram – e água. Alimento saudável, isento de proteínas vindas sabe-se lá de onde e à custa de quê, a água o líquido ideal para uma dieta sã.
A verdade é que a mulher chamou a tudo aquilo cativeiro, fugiu, escancarou a verdade e deu entrada no hospital. Quando entrevistado, opinou um aldeão, revoltado com o sucedido: “Ainda se ele lhe desse umas lambadas ou lhe atiçasse o cão... Agora acorrentá-la ao poço?!”
Livra!
Publicado por Teresa C. às junho 22, 2005 08:55 AM