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junho 24, 2005

IN & OUT

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Drew Posada

«Do homem a praça, da mulher a casa», é frase retirada de um relato de um viajante que assim sintetizou o estatuto das mulheres no nosso país. Ana Vicente fez uma levantamento exaustivo sobre literatura de viagens em Portugal e dele resultou “As Mulheres Portuguesas Vistas por Viajantes Estrangeiros.” Sustentada pelas personas dos viajantes, acumulou narrativas que constituem fonte histórica sobre o papel da mulher do século XVIII ao século XX.

“Atrás de uma grande mulher há sempre um homem a impedi-la de o ser” pode ser a conclusão a tirar da histórica opressão feminina. A ambiguidade da Igreja, o olhar da sociedade e dos pensadores em relação à mulher provam o temor pelo poder da sexualidade feminina – a procriação. Filósofo houve que ousou afirmar ser um defeito da mulher isso mesmo, por ter depois de amamentar, cuidar, educar. Possível fonte de inspiração dos que hoje não contratam mulheres por elas poderem engravidar... A fortaleza da mulher, a maravilha da criação tornada fragilidade e alvo de desconfiança.

Leonor Beleza afirmou que «as decisões importantes da vida política são tomadas depois das seis da tarde», o que talvez ajude a explicar porque são eles maioria nos quadros políticos ou nos painéis de programas de televisão. Depois do fatídico limite temporal, elas regressam a casa, e os homens? Regressam também? Tratam dos filhos? Passeiam o cão? É mais cómodo continuar o trabalho, enquanto elas garantem o resto.

Se o trabalho fora de casa é argumento usado para explicar a sobrecarga de tarefas da mulher, ele cai sem delongas. A ideia de que a mulher de antanho não trabalhava é mito. Sempre trabalhou, e, no século XXIII, antes da revolução industrial, as mulheres portuguesas tinham mil ofícios sem qualquer auxílio tecnológico. Só da burguesia e da classe burocrática estava arredado o trabalho feminino. Não será então o tempo a limitar-nos para a intervenção social, antes a cumplicidade nossa e deles ao perpetuarmos comportamentos desiguais dos género.

Por estas e por outras, fomos esquecidas pela estatuária pública. De homens valorosos há muitas. Quantas lembram mulheres? Foram assim tão irrelevantes?

Publicado por Teresa C. às junho 24, 2005 09:00 AM