« IN & OUT | Entrada | AÇÚCAR »

junho 07, 2005

LOOK

cadeira.jpg
Jennifer Janesko

Posturas e atitudes. Tiques, trejeitos e hábitos jogam ao gato e ao rato com a consciência. Irrompem sem filtro e são, definitivamente, delatores.

A postura feminina muda perante homens ou mulheres. Mulher entre pares endireita as costas, opta pelo conforto da coluna e sobe decisivos centímetros que lhe assegurem mais-valia. Passada a imagem inicial, e se a conversa empolgar, desleixa a atitude – puxa as calças descaídas, desce o top ou recoloca en su sitio o fio lateral da cuequinha. Tudo discreto, descomprimido e à revelia da consciência. Tradução: estou no habitat com o qual me identifico.

Frente a um homem a atitude difere - ombros para trás evidenciando o peito, rabo para fora e barriga para dentro. Tudo somado, dá escoliose dorida. Se em pé, avança uma perna relativamente à outra. Finalidade – valorizar a anca e demais atributos. Diálogo longo obriga ao automático: passar o peso de um pé para o outro, suavemente, acompanhando o bamboleio com o cabelo. Uma arrojada dardejará no olhar dele o dela. Iluminará os lábios humedecendo-os com a língua. Pelo vagar do gesto, ele poderá avaliar quão impressiva foi a imagem deixada e... os riscos que corre.

Eles connosco: esticam-se, confundem as mãos até acabarem no bolso do casaco ou dos jeans. Más-línguas sugerem que este é o momento escolhido para, subtilmente, acomodarem o deslocado. Partilham com elas o balanceio do aprumo. Alguns itens do cardápio sedutor: ajeitar o cinto, brincar com os óculos de sol, aproximar-se dela num jogo táctil e olfactivo com pitada de sorriso bailador. Se não inventar razão para discreto toque na meia hora seguinte, o diagnóstico é simples: a lide é travada com um tímido, um indiferente ou um prudente até à medula. Em qualquer dos casos, e valendo a pena, uma carga de trabalhos.

Publicado por Teresa C. às junho 7, 2005 11:39 AM