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junho 21, 2005
TROCAS E BALDROCAS

Barndog
Num tempo em que vamos indo assim, assim, somos felizes mais ou menos, a saúde podia estar melhor que para pior já basta assim, escasseia a assertividade. Vou perder elegância na linguagem que pretendo ganhar no entendimento: no verão, as mamas são uma canseira. Concedo que os pêlos, pés, cotovelos também dão que entender se exigimos na nudez pele de seda e pés cumpridores dos mínimos do respectivo fetiche. Mas nada, mesmo nada, se parece com os dilemas mamários do estio.
Com as ditas os problemas são, essencialmente, de dois tipos: sustê-las e revelá-las (ficará de lado a omissão das mesmas - posso ser moura, árabe nunca!). Peito grande, que exceda as quinhentas gramas por unidade, carece de sustento firme, encaixando sem espremer, e postura que não ceda décima de grau à linha da gravidade. Peito pequeno pede forma que o valorize e lhe conserve o ar empinado. Em qualquer dos casos temos o problema das alças por baixo dos «trapos»... com alças. Banir soutiens seria o ideal, porém, obrigaria muitas a assumir que ali estão bons exemplos de valores em queda. Soutiens sem alças são incómodos porque maiores que os outros, com elas implicam mil e um exemplares para que o usado por fora não guerreie audiências ao de dentro.
Revelar ou não as mamas. Entre amigos ou gente do milieu impera o apetite e o bom gosto requerido. No ambiente profissional não será de bom-tom tê-las sob a mira de qualquer um – importa zelar pela tranquilidade laboral. A benção do ar-condicionado permite que em plena grelha urbana o conforto seja compatível com a subtileza de um linho fino esvoaçando sobre o colo. Locais públicos com «intas» de temperatura obrigam a equilibrar apetite e possibilidade. Deixá-las pender livremente e aproveitar-lhes a brisa do balanço é impossível. Exibi-las a meio termo implica olhares de desespero suado. Tapá-las é martírio – pelo reguinho encarreiram gotículas a desaguarem no enfeite miniatura que une as copas. Não sendo dique capaz, progridem, sorrateiras, até à cintura. Com obstáculo à altura ficam-se por aí. Não existindo, avançam sinuosas até empaparem o que resta seco da cuequinha. Uma tragédia, um desconforto, um daqueles momentos em que nenhuma de nós gostaria de se cruzar com o Clive Owen. Nem ele connosco.
Publicado por Teresa C. às junho 21, 2005 07:12 AM