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junho 05, 2005

(IN)CONJUGALIDADES

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Barn Dog

- Faço figuras destas?
- Nunca querida, antes tiro-te o bâton.

VENENO

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Clyde Caldwell

Velas. Pequenas, simples, trabalhadas, de cheiro, grandes. Cores vibrantes, neutras ou pastel. O que conta é que sejam muitas. Sempre muitas velas. Alguns delas se servindo como fetiche para clímax poderoso. E depois, a luz da vela sombreia decímetros de celulite e banhas em erupção.

Não é de agora este apetite por pavios acesos. Qualquer remoto povoado não dispensa «altares» domésticos com fotografias, «santinhos» e velas. Procissões sazonais com direito a andores, anjinhos, sacerdote paramentado e... velas. Dos profissionais de Fátima importaram a habilidade de as rodear de copos de papel para não pingarem mãos ou roupa – rendem mais uns cobres para as obras de arranjo do telhado da capela e dão outro sainete.

Perguntem a qualquer português se não gostaria de ter sacadas no apartamento, não fora o escândalo do preço por metro quadrado. Não só gostaria como, bem no fundo, ruminaria a esperança de poder um dia nela esticar uma colcha rubra que honrasse velas passantes. E passam... As procissões voltam a ondular por muitos bairros de Lisboa.

Admitamos possuir, à mistura com estéticas minimalistas e linhas depuradas, um potencial peregrino de Fátima dentro de cada um de nós. Um anjinho envolto em nylon acetinado, caracóis e asas de arame. E se nunca nos apinhámos numa «procissão do adeus», delas há resquícios no futebol. Basta derrota que humilhe a populaça de adeptos e que agitam eles? Lenços brancos! As velas das despedidas.

Publicado por Teresa C. às junho 5, 2005 11:59 AM