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dezembro 18, 2005
ACQUA_R_ELLAS

Dominique Wtez
Luz coada. Contornos difusos. Dos objectos. Do espaço. Do pensamento. Silêncio – o dedilhar do Carlos Paredes fica cosido às paredes. Às coisas. Ao privado modo de estar. Longe dos holofotes. Da exposição diária que a obrigação impõe. Muitos olhares. Demasiados. De cada um avaliado o peso. Somados, empurrando as pálpebras para o chão. Para o rasteiro, humilde, calcado. Das três dimensões uma anulada. Vestígio. Trilho. Caminho. O andado. Em frente o por andar. Torcido? Linear? Isso não, que de fácil enfastia. Antes fio caído de malha apertada. Caprichoso no encaracolado. Difícil de modelar.
O algodão leve em cima. Por dentro nada. Mais abaixo as peúgas de lã. A certeza de um espaço que, por agora, ninguém interromperá. Andarilha, piso o chão conhecido. Cúmplice. Mudo. Muito viu e do que viu não diz. Pisco-lhe o olho e sorrio. Desvarios de criança na mulher. Com os presentes de Natal enchi um saco. Enorme. Verde-lima, não fosse destoar. Quis eliminar excessos. Complicações. Evidências de um consumo que limitei. De uma abundância falsa e de um tempo falacioso. Da simplicidade como meta. Da negação do ocioso. Todo o ano, por cada peça comprada, uma outra doei. Se da memória colada aos objectos não quero despedir-me, mais não posso adquirir. Sopeso futuro e passado. Compro menos. Olho mais. Rego a liberdade.
Publicado por Teresa C. às dezembro 18, 2005 10:13 AM
Comentários
Um abraço enorme,apertado,caramba,este algodão veste-me!...é indescritível ler...ler-te então em pormaaiores destes...indizível!
Estas saíram tal e qual fluiram...as palavras,mereces!
olá Tati!
Publicado por: Margarida às dezembro 18, 2005 01:00 PM
Regas também o meu gosto de te ler. Escreves mesmo bem.
Publicado por: Katraponga às dezembro 18, 2005 06:45 PM
Com esta escrita estou nitidamente perante a minha prof.
Estou seduzido e rendido. Os jovens, com a sua desatenção natural, perdem muito do que lhes passa mesmo à frente do nariz e, por vezes só muito tarde descobrem ... a tati sabe escrever tão bem como nos transmitia os conhecimentos da fisico-quimica (será?)
Este texto faz-me lembrar uma "tati (Prof)" que por esta época andava sempre cheia de sacos com prendas (para os meus filhotes dizia...) e não acredito que tenha perdido essa graça.
Estou a gostar
ccbbbbbbbb
Publicado por: ccbbbbbb às dezembro 19, 2005 07:06 PM