« CORREIO SENTIMENTAL | Entrada | ACQUA_R_ELLAS »
dezembro 17, 2005
TROCAS E BALDROCAS

Roger Payne
Os bananas - caninos na acomodação objectiva e conformação subjectiva a regras, ordens ou convenções. O estereótipo masculino dolente, apalermado, sem energia, tem como oposto na tradição portuguesa o marialva – mulherengo, activo, irreverente e indisciplinado. Os virginais suspiros femininos acenam aos marialvas, os ais doloridos e desiludidos de quem não chega para arrebatar quem aspira encontram remedeio no banana.
O Jorge dissertou sobre o «Bananamen». A tese dele é simples e tem sustento lógico – como o «banana» passa invisível nos afectos e relações e à partida merece o estatuto de inimputável, é o macho com vida mais regalada. A faxina da casa, carregar malas, o “sim querida” tão natural como o salivar, os paparicos que com ele a respectiva tem direito, tudo sugere compra de liberdade incondicional. Em quadro de flagrante curtição com a colega de escritório que tão somente o procura para lhe jorrar no ombro cascatas de mágoas infligidas pelo arremedo de marialva que tem em casa, ninguém o dará por autor da armadilhada sedução de sapo - estático, segue a vítima com o olhar, aprisiona-a atirando, veloz, a língua ao ar.
Banana e marialva são semelhantes no objectivo último – ter uma boa vida. O primeiro anulando-se, o segundo impondo-se. Qualquer dos estereótipos tem prazo de validade curto no coração de uma mulher. À excepção das que do amante fazem três em um – psico, fisioterapeuta e seguro da conjugalidade.
Publicado por Teresa C. às dezembro 17, 2005 10:32 AM