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maio 08, 2006

IN & OUT

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Richard Baxter

A falta de confiança característica dos tímidos exacerbados é a faceta menos tolerada nas pessoas, nos homens em particular. Têm dificuldade em admitir, expressar e viver o desejo. Preferem refúgio em cabanas defensivas alicerçadas em raciocínios do tipo “se não me quer, eu também não lhe ligo.” Conseguindo a mulher inatingível que em silêncio desejava, esfuma os fantasmas da rejeição. Contudo, o mais provável é desvalorizar o que alcançou e fazer cadáver do desejo finalmente satisfeito. Especialista em real-de-terra-queimada. Como síndroma do Rei Midas, mas invertido – não transforma em ouro aquilo em que toca, antes contamina quem possui.

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Richard Baxter

Afectivamente, o tímido é pouco elaborado – a intensidade da união assenta na necessidade de não ficar só, mais do que na qualidade dos sentimentos. É do senso comum que uma mulher dominadora seja a companheira ideal de um tímido, do mesmo modo que uma mulher hiperfeminina tenderia a atrair a atenção do homem hipermasculino. Falacioso encontro, já que quem protege e controla é a mesma que em segredo é amada e odiada...

A timidez moderada num homem apresenta-se hoje como prova de emancipação masculina. Os tímidos reúnem qualidades que reclamamos: sensibilidade exposta, emoções menos censuradas e assunção das fragilidades que aproximam os seres (a condição de vítima ou coitadinho é, no entanto, de evitar!). O tímido é ideal para mulher sem complexo de Cinderela, e a quem não canse a liderança sistemática... Numa metáfora já gasta, o quotidiano com um indeciso e assustado crónico faz da mulher a locomotiva do comboio relacional. E cansa. E requer alimento dobrado do melhor combustível afectivo. Gratificando ambos, nada a opor.

NOTA:
Agradeço, penhorada, as palavras e o destaque. Ora qui está uma discordância bem fundamentada do ponto de vista que defendi. O saber que lhe determina o ponto de vista não ponho em causa. Tão pouco a adequação dos tímidos à mulher de afectos aventurosos. Todavia, permite que acrescente: um afecto costuma crescer saudável onde o apreço pelo outro é adubo.

Ao lado: France Gall - Poupée de cire, poupée de son

Publicado por Teresa C. às maio 8, 2006 10:33 AM

Comentários

Desta vez discordo. Lá deixei (em casa própria) as minhas razões.

Publicado por: Eufigénio às maio 8, 2006 12:32 PM

Uso agora a sua caixa para que a nossa dissonância se não propague interblogues. Sim, que mais uma vez terei de manifestar o meu desacordo - agora sobre a nota que apensa: a timidez pouco tem a ver com a (falta de) auto-confiança (se é que conclui bem das suas palavras), no quanto esta se manifesta dentro de nós. Antes pelo contrário, o esforço de socialização dos tímidos é tal e tão permanente, que por culpa de tal ensaio enrobusteceram quase todos eles essa confiança que na couraça ruborizada lhes parece faltar.

Publicado por: Eufigénio às maio 8, 2006 10:07 PM

Substituí o termo, por efectivamente não associar o conceito que lhe dei. Pretendia, tão somente, significar que a confiança do próprio nas escolhas que faz é indispensável ao apreço pelo escolhido e amado. De resto, tenho para mim, que frequentemente os tímidos se couraçam em excesso, quiçá cristalizando na matriz do que supõem ser. E somos tão poucas vezes quem julgamos ser...

Publicado por: Tati às maio 8, 2006 10:40 PM

Et voilá.
Concordo a 100 % ... desde onde começa até onde acaba. E dito assim de forma tão essencial, atrevo-me até a subentender, a sobrestender: onde começamos (nos afectos) e acabamos todos (no que julgamos ser), talvez mais os tímidos, sim.

Publicado por: Eufigénio às maio 8, 2006 11:59 PM

Adoro uma boa discussão. Se tivesse demorado um pouquito mais, seria proporcional o divertimento. Fico grata.

Publicado por: Tati às maio 9, 2006 09:49 PM

Receei a intrusão excessiva. Se me tivesse dito isso antes não desdenharia desenrolar mais algumas outras pontas de discordância. Também eu gosto de uma boa discussão, dessas que me ajudam a compreender a minha própria opinião das coisas. Neste caso, das pessoas.

Publicado por: Eufigénio às maio 11, 2006 04:08 PM

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