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junho 01, 2006
CORREIO SENTIMENTAL

Jan Bollaert
«O duplo padrão sexual – pesos e medidas diferentes para avaliar os comportamentos de homens e mulheres – resiste? »
Li por aí este encantador testemunho de uma mulher: “Não há nenhuma gueixa em si? Deixe-a entrar durante algumas horas do dia. Não permita que esse homem que ama esqueça, com o passar dos anos, de como é engraçada, bonita, bem arranjada e até (porque não?) boa cozinheira e indispensável dona de casa. Não se iluda com tretas de que os homens e as mulheres são iguais (não podiam ser mais diferentes, senão até de planetas distintos). Seja feminista a negociar um salário igual para um trabalho igual e não na sua vida amorosa. O feminismo colado com cuspo é erro que, com maior frequência, mata o amor.” Responde, definitivamente, ao perguntado. Que pena não poder subscrevê-lo!
Dos antepassados recebemos, por via do leite materno e galhetas dos pais, ambíguas noções sobre uma espécie fundamental designada por “Os Homens.” Deles se dizia serem livres (libertinos), resistentes à relação monogâmica (infiéis), desejo sexual intenso (lascivos) e avessos a tarefas domésticas (uns ronhas!). As corajosas fadas-do-lar, mães-sacrifício, com um ou dois parceiros sexuais – marido e o «deslize» -, isentas de luxúria e modestas, eram as “As Mulheres.” De entre estas constavam duas subespécies: Senhoras e Putas. Um tédio – quem via um(a) via todos(as)!
No último quarto do século, o duplo padrão foi às malvas. Da promiscuidade das egrégias classificações surgiram outras que só ralam um décimo dos portugueses – elite esmeradas no luxos de gastos e tempo. Hoje, a categoria “Os Homens” subdivide-se nos de Marte, CE e Ascetas. Os de Marte são egocêntricos, têm físico de campeão surfista, esmerados na satisfação das parceiras para dela obterem elogios. Um “gostaste?” deverá ser traduzido por “sou bom todos os dias!”. O código CE presta-se a várias interpretações – Coeficiente Emocional ou C*r*l*u*o E*t*s*a*o. Serve a primeira. Os CE são arredondados, meigos, bem equipados de estrogéneos e pacientes. O Asceta é atleta pouco audacioso, inteligente e bom amante; a importação de estrogéneos, por dieta rica em fruta e vegetais, acresceria sensualidade. Todos disputam “As Mulheres”, sejam elas Venusianas, Amazonas ou Maria-Rapaz.
De tudo concluo a teima nos sacos. Em cada, uma etiqueta. Pode caber de tudo, de vilões a pais-coragem. No outro, o mesmo. E depois, ao olhar-te, ao sentir no fundo como és, enlevam-me as tuas diferenças. Não te recolhi de saco algum ou fui o teu resgate. Deparámo-nos com o sublime encontro e ousámos a harmonia. Há quem lhe chame amor.
Publicado por Teresa C. às junho 1, 2006 08:29 AM
Comentários
Bom dia!
Que extraordinário post!
«E depois, ao olhar-te, ao sentir no fundo como és, enlevam-me as tuas diferenças. Não te recolhi de saco algum ou fui o teu resgate. Deparámo-nos com o sublime encontro e ousámos a harmonia. Há quem lhe chame amor.»
Nunca podemos prototipar pessoas... Cada ser é uno e diferente, é na sua singularidade q reside o seu bem mais precioso!...
Conjugar formas e estados numa só mulher ou homem é divino!
Saber apreciar cada mulher ou homem na sua diferença é arte...
Saber olhar em transparência e saber tocar, pode ser amor ou amizade!
Beijinhos
Publicado por: LaddyC às junho 1, 2006 12:34 PM
Eu chamo!!!!!!
Publicado por: kashmyr às junho 2, 2006 12:52 AM
LaddyC - Extraordinário é o seu modo de (pres)sentir dos vivos o encanto. Adorei lê-la aqui e peregrinar pelo seu blogue.
Kashmyr - E vão dois! ;)
Publicado por: Tati às junho 4, 2006 05:14 PM