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junho 17, 2006
GENÉRICOS

Emily Zasada
“Não se é um país a sério a menos que se tenha algum tipo de equipa de futebol ou algumas armas nucleares, mas no fim de tudo, o que se precisa é uma cerveja”
Frase provocatória de Frank Zappa fundamentada, porém, no indesmentido facto da cerveja estar para o rock e os grandes festivais de verão como a água-benta está para a missa.
E na frase de Zappa cabe o reforço da identidade colectiva através de uma marca de cerveja que convoque o consenso nacional. Os irlandeses têm a Guiness, os holandeses a Heineken, a Carlsebrgen para os dinamerqueses, a Foster’s para os australianos e por aí fora até voltear o mundo e chegar à terra lusa, sentindo encher a boca e depois escorrer pela garganta o acre néctar da Sagres ou da Super Bock. Implacável, a cerveja combate o calor e a sede. Gelada, recompõe os corpos. Doseada, aniquila sombras pensadas. Encostada à face, é desejo o arrepio sentido. Cerveja - a espuma dos dias.
Publicado por Teresa C. às junho 17, 2006 12:35 PM
Comentários
Temos a cerveja e a equipa de futebol é verdade. Mas quando os fazedores de títulos dos "jornais desportivos" querem fazer um título a quem é que eles recorrem? Estamos sempre a ler e a ouvir títulos do género: "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce" ou outros textos que começam com "As Armas e os Barões assinalados". Se não tivéssmos Camões e Pessoa não éramos os portugueses que somos. E se hoje continuarmos a investir a nossa capacidade de sonhar toda, todinha em tipos que dão pontapés na bola... bem. Pelo menos que usemos uma parte na música. De Zappa e outros tipos bizarramente geniais, mas geniais. Que esses pelo menos revisitam, retalham, dissecam, celebram, torturam, maltratam a cultura. Mas não a ignoram. e cá em Portugal temos muitos vivos. Não vamos estar à espera que eles morram. Com o mundo actual, que permite um contacto, através dos media, com os escritores, os realizadores, os pintores, os produtores de cultura, os agentes de cultura, como nunca, é uma pena se os ignoramos. E aqui neste cantinho temos essa tendência. Herberto Helder passou despercebido, Al Berto também. Morreram discretamente, num mundo em que os media criam mitos. Eugénio já não, felizmente. Claro que não temos mercado para que eles tenham uma vida confortável, como numa América acontece com os seus escritores, mas é contrangedor ver uma entrevista com algumas pessoas já no final da vida agora no século XXI e perceber que viveram décadas quase de penúria. E eu rejeito a ideia romântica de que os génios são muitas vezes incompreendidos em vida. Estou a falar de coisas diferentes. Estou a falar de prioridades.
Publicado por: troblogdita às junho 17, 2006 07:30 PM
Bem visto. E tendo nós a Unicer e a Centralcer...existindo a Sintra e do grupo Sumol a Tagus...devemos mesmo ser um grande país.
Publicado por: Albatroz2 às junho 18, 2006 03:49 AM
Inventada pelos Egípcios, (tenho dificuldade em imaginar como é que a arrefeciam) a bebida de colarinho branco, é ícone, de universal inteligibilidade. Veneno, se bebida aos golinhos, néctar, se deglotida em travos largos e contínuos...glu, glu, glu...a preta a uma temperatura ligeiramente superior à loura, diuréticas in extremis, quanto mais se bebe mais vontade se tem de beber; o que me faz lembrar outra coisa que não vem aqui ao caso. As nacionais, bebidas no tradicional copo tonco-cónico impõem os seus 4,5º/V a partir do terceiro "fino"; sem chauvinismos, prefiro-as às estrangeiras, honrosa exepção à Belga "Stella Artois" que deve ser bebida em sentido. Imagem de marca que os criativos não dispensam pelo movimento alternativo da maça de adão num rosto com barba por fazer. Por cá, costumam ser vistas na excelente companhia de tremoços e amendoins cujo "top it off" é um televisor a dar um jogo do Mundial de Futebol.
Publicado por: JG às junho 18, 2006 09:53 AM
Humm... uma Guinness é que ia bem agora!
Publicado por: Katraponga às junho 18, 2006 07:46 PM
Deuses! Como tive arrojo tamanho para tratar um tema como o acima postado. Amigos, os vossos comentários deixaram-me entupida pela falta de verve à altura da vossa. No entretanto, e porque não sou mulher de me ficar, "venha daí uma imperial para mesa do canto «xefazfavor!
Obrigada amigos. Comentadores assim pedem-me maior empenho.Vou tentar. Beijinhos
Publicado por: Tati às junho 19, 2006 05:09 PM
Podemos berber muitas cervejas, de vários tipos e feitios, mas a sagres é como a volta do filho pródigo a casa...um formato que enche a mão...
que mata a sede com um valor calórico equivalente a um bife na pedra...e com uma banda sonora inesquecivel...com isto tudo fica a irresistível e inevitável vontade de coçar vigorosamente os tomates...
PS- é ´´sáchavôr``...burp...
Publicado por: Ferdinand C às junho 20, 2006 04:36 PM