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junho 28, 2006
PÉ NA CHINELA

Autor que não foi possível identificar
Reconheçamos: os tempos andam difíceis, para os homens estão trágicos. Têm o drama dos pêlos que recuam na cabeça e encanecem nos genitais, embarrigam, as banhocas ficam flácidas, tudo, mesmo tudo, parece ficar perigosamente pendente. Têm pêlos a mais ou pêlos a menos. Podem ser brindados com a feliz notícia de irem ser pais independente da vontade ou de sobre o assunto terem sido sequer questionados. Elas engravidam, e eles de duas, uma: ou o vêm a saber assim elas vejam nisso utilidade, ou foram reserva de esperma à la carte, fresco e à borla.
E os tormentos? Essencialmente, três: ginásio, sensibilidade, peúgas e oportunidade. A sabedoria do momento é árdua - ser oportuno, agarrar o instante da viragem; uma fracção de segundo antes é cedo, outra depois é tarde. A humilhação do ginásio, as T-shirts denunciadoramente encharcadas em suor, a humilhação do olhar dela na intimidade, a condescendência alheia. Sensível demais, raiva a menos, palavrão, legitimar um suspiro traseiro quando dormem acompanhados? Ignorar, sendo abjecto o fedor? Assumir uma desculpa, ou brincar à conta disso? E é mesmo verdade, apetece descalçar as peúgas em último lugar, no Inverno sobremaneira, mas será razão para a eloquência de uma censura XXL no olhar dela? E a dispensa de algumas formalidades não é um dos fortes apelos da conjugalidade?
Lá por não virem no contrato, e deviam constar num rol estruturado ao critério dos nubentes, é obrigatório que os descuidos românticos sejam ossos roídos até ao tutano no dia do juízo final da relação? Ou entretêm, a par de outras memórias tão frívolas quanto essa, um serão de amigos à custa das risíveis manias do «ex». Pior é os factos serem mesmo cómicos quando imaginamos o desgraçado, que amavelmente abria os melhores vinhos para nos receber, a desempenhar o papel de desajustado de serviço. É como entrar pela fechadura, ver o que todos fazemos e, à custa de uma vítima, exorcizarmos em assembleia penitenciak as venialidades comuns.
Publicado por Teresa C. às junho 28, 2006 10:10 AM
Comentários
Texto genial, delicioso. É sempre um risco desatar a falar dos homens enquanto espécie, género ou grupo. Ou outra espécie de coisa. Mas consegues fazê-lo com tanta argúcia, subtileza e levantando questões nas entrelinhas com o que dizes directamente que é inevitável virem homens representando-se a si próprios defenderem... não sei bem o quê. Eu não me atrevo muitas vezes a falar das mulheres no seu todo. E não sei bem se é do todo que se fala quando nos referimos a um género. Ou que tipo de interpelação pretendemos. Sei que os interlocutores que queremos para nós não são os que andam perdidos, tragicamente incompreendendo o seu lugar no género e sendo causa de conflito com o outro género. A mulher que quero como interlocutora e parceira sabe que mulher é. E não preciso de adversárias para me encontrar como homem. Aliás duvido muito do que me apresentam como sendo competição. E quanto à guerra de sexos... Ainda no outro dia tiveste um comentador que foi um bocado desagradável. Ou talvez apenas despropositado. Eu também não posso atirar a primeira pedra. Não percebo o que motiva homens e mulheres a agredirem-se. Ainda que seja uma espécie de jogo que ambos aceitem jogar. Sei que as tuas análises são únicas. Conseguem fazer essa maravilha da generalização. Que não é nenhuma palavra feia. É coisa necessária para se poder olhar o mundo de forma global. E os fenómenos com maior profundidade. E sei que tenho dificuldade em situar-me. É difícil quando em muitas coisas não me identifico. E obviamente não me identifico com as exasperações das mulheres que queriam homens diferentes. Eu já me exasperei por querer colegas de género diferentes. Agora... olho para as pessoas com bondade. E impaciento-me com a minha impaciência. E com algum rigor caustico que me escapa quando não devia. Principalmente quando é com a escrita que estou a funcionar. Nos quotidiano sou mais sorrisos que argumentos. Um abraço, nuno.
Publicado por: troblogdita às junho 28, 2006 12:25 PM
Texto genial, delicioso. É sempre um risco desatar a falar dos homens enquanto espécie, género ou grupo. Ou outra espécie de coisa. Mas consegues fazê-lo com tanta argúcia, subtileza e levantando questões nas entrelinhas com o que dizes directamente que é inevitável virem homens representando-se a si próprios defenderem... não sei bem o quê. Eu não me atrevo muitas vezes a falar das mulheres no seu todo. E não sei bem se é do todo que se fala quando nos referimos a um género. Ou que tipo de interpelação pretendemos. Sei que os interlocutores que queremos para nós não são os que andam perdidos, tragicamente incompreendendo o seu lugar no género e sendo causa de conflito com o outro género. A mulher que quero como interlocutora e parceira sabe que mulher é. E não preciso de adversárias para me encontrar como homem. Aliás duvido muito do que me apresentam como sendo competição. E quanto à guerra de sexos... Ainda no outro dia tiveste um comentador que foi um bocado desagradável. Ou talvez apenas despropositado. Eu também não posso atirar a primeira pedra. Não percebo o que motiva homens e mulheres a agredirem-se. Ainda que seja uma espécie de jogo que ambos aceitem jogar. Sei que as tuas análises são únicas. Conseguem fazer essa maravilha da generalização. Que não é nenhuma palavra feia. É coisa necessária para se poder olhar o mundo de forma global. E os fenómenos com maior profundidade. E sei que tenho dificuldade em situar-me. É difícil quando em muitas coisas não me identifico. E obviamente não me identifico com as exasperações das mulheres que queriam homens diferentes. Eu já me exasperei por querer colegas de género diferentes. Agora... olho para as pessoas com bondade. E impaciento-me com a minha impaciência. E com algum rigor caustico que me escapa quando não devia. Principalmente quando é com a escrita que estou a funcionar. No quotidiano sou mais sorrisos que argumentos. Um abraço, nuno.
Publicado por: troblogdita às junho 28, 2006 12:26 PM
As meias são um assunto delicado... quando se tiram, desaparecem... é uma chatice procurá-las, é o sentido prático masculino que vem à tona sobre o sentido estético, use-se o sentido fetiche... um homem completamente nú, apenas com peúgas brancas, com raquetes cruzadas na parte do lado... pode ser chocante, mas as experiencias chocantes podem ser as mais enriquecedoras, que raios, há que quebrar tabus e passar por cima desses pormenores... ou pormaiores...
Publicado por: Ferdinand C às junho 28, 2006 03:32 PM
Ehh... só agora consegui ler o comentário do troblogdita, o blog apresenta o numero de comentários, mas quando quando se abre, os comentários não correspondem ao numero descrito. Entretanto, reconheci-me no texto do troblogdita, como o comentador desagradável... Gosto muito de ler este blog, acho os textos maravilhosos e as imagens muito bem escolhidas, dá-me prazer participar nele, dentro das minhas possibilidades, porque se sou trapalhão a escrever, deviam ver eu a falar... Se fui desagradável ou despropositado Tati, peço desculpa, náo era de todo essa a minha intenção.
Um leitor atento do seu blog.
Publicado por: Ferdinad C às junho 28, 2006 03:54 PM
Tenho que me explicar, Ferdinand C. Eu corrijo logo a seguir o desagradável para despropositado. E sinto necessidade de dizer que não posso atirar a primeira pedra. E posso dizer-te que mais à frente, quando me refiro à minha impaciência e ao meu rigor cáustico, estava a pensar na manrira como reagi ao teu comentário. Antes demais, é bom que haja à vontade para dizeres o que pensas. Não sou eu a melhor pessoa para carimbar o produto dos teus pensamentos como de bom tom ou de mau tom. Mas vou tentar, muito sucintamente explicar a minha reacção, que é crónica. E a minha irritabilidade é minha. Não tenho que apontar o defeito aos outros. Os discursos "os homens têm a mania que...", "as mulheres são todas umas..." chateiam-me, quando não me aborrecem de morte. Quando não me aborrecem de morte é porque a argumentação é mais bem conseguida. Foi o teu caso. Foste inteligente, com argúcia arremessaste uma provocação bem elaborada. Mas que vinda de um homem heterossexual - que deduzo ser o teu caso - continuo a achar estranha. Mas que está perfeitamente dentro das regras da Guerra dos Sexos. E que cada vez mais me parece namoro e não guerra. É como se houvesse umas regras tácitas entre homens e mulheres que eu e poucas pessoas achamos absurdas e que fazem dessas agressões, provocações, acusações, manifestos uma forma de se provaram mutuamente que estão vivos e prontos para o próximo round. E neste século isso parece muito actual. Estando o Homem a precisar [?] de encontrar o seu papel. Eu irrito e sou, reconheço, desagradável. Eu é que te peço desculpa, Ferndinand C, se te fui agressivo. Não queria ser, na verdade. Queria que pensasses na minha própria provocação. Pois o que te disse é, pelo menos para mim, importante. Quando o tema, naquele contexto é o que é, eu acho que arremessar argumentos para aniquilar o adversário [como homens e mulheres fazem costumeiramente] é uma pena. Porque se está no fulcro de tudo. E se se escutar, se se escvutarem, podem dizer coisas uns aos outros. Coisas importantes. Em vez de estarem tão preocupados em demonstrarem outras coisas. Que são apenas simbólicas. E que têm esse valor simbólico. Muitas vezes só para si - para cúmulo dos cúmulos. Nós homens somos, em algumas coisas, diferentes das mulheres. Por isso o que te disse, tinha conteúdo. Não era uma agressão. Embora tivesse sido despoletado pela minha irritabilidade. A minha impaciência. Mas depois é o tal rigor cáustico que vêm em meu auxílio. E não costumo ser gratuito. Peço desculpa, também, por não consguir ser sucinto. Para espero ter sido minimanete esclarecedor. Um abraço fraterno, Ferdinand C.
Publicado por: troblogdita às junho 28, 2006 05:33 PM
:-D Ferdinand C... Só hoje fui rever os comentários a que nos estamos a referir. E olha, lamento desiludir-te mas eu não me estava a referir a ti. O comentador «desagradável» assinou "Transeunte". Não me dei ao trabalho de confirmar, ontem, quando disseste que te reconheceste no que eu escrevi, e não me lembrava do nome da pessoa, mas reconheci o teu nome. Mas tudo o que eu disse só se aplica à pessoa que assinou "Transeunte". Um abraço, nuno.
Publicado por: troblogdita às junho 29, 2006 09:40 AM
Uma honra ter comentadores com o mérito dos que me acompanham. Comove-me, a par da inteligência e oprtunidade dos conteúdos cujas pegadas por aqui vão largando, a generosidade em partilharem com todos a reacção ao que escrevo.
Obrigada amigos
Publicado por: Tati às junho 29, 2006 08:01 PM
Só agora tive a genial ideia, de fazer ''actualizar'' na página de comentários, apareceram logo os comentários todos... Tambem lamento a confusão nuno, o tema que gerou confusão era muito identico a aquilo que eu comentei, li só agora o comentário do traseunte, e tua resposta a ele e a mim. Preciso realmente do choque tecnológico, é curioso como quando falhamos tecnológicamente, falhamos tambem com as pessoas, (no que diz respeito à internet, telemóveis, sms's...) os equivocos que provocam são suficientes para destruir relações...(quando levados muito a sério...) Um tema a ser falado talvez, neste caso o equivoco foi desfeito e agradeço-te pela tua frontalidade e cordialidade, um abraço para ti.
rui.
p.s. - é sempre um prazer Tati.
Publicado por: Ferdinand C às junho 30, 2006 11:53 AM