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junho 27, 2006

PEREGRINANDO

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Janet Stewart

“Em Ipanema a diferença profunda é entre conhecer de vista e conhecer de bunda.” Exactamente o lugar insuportável para uma fuga a conhecimentos de bunda ou outros. Encontrei no mapa do tesouro brasileiro o «X» destacado: a Ilha Grande. Claude e a mulher Mara transformaram a sua casa de campo numa simpática pousada: pequena, três dos seis quartos com vista de mar e redes nas varandas.

Caminhar. Enveredar por trilhos que nunca vi. Anfitriões para os quais apeteça sorrir e deles e dos demais hóspedes ouvir estórias. Ir até à praia de Dois Rios, mar fora, e, no regresso falar de aventura, de beleza, de emoções. Sentimentos, não. Ficaram na penumbra da casa vazia, confinados ao silêncio e ao ar viciado. Ou respirando com os poucos verdes envasados. Esquecer. Fugir. Tudo o que me é difícil pela autodisciplina instalada desde a criação.

A maior ilha da baía de Angra dos Reis está ligada aos outros pedaços de terra sobrenadantes através dos barcos alugados ou das escunas. Fico-me, na fatia maior do tempo, pela mata atlântica onde posso regredir à fantasia de Robinson Crusoe. A área verde espessa e profunda dizem fazer lembrar São Tomé. Não conhecendo, fico impossibilidade de legitimar a comparação. Praias, montanhas, cachoeiras, rudimentos da civilização. Carros circulando somente os dos bombeiros e por necessidade maior.

Se pensei? Meditei nas inflexões que deixei e devia tomar? Decisões? Nem uma! Fruí do gozo da pureza, da naturalidade das gentes e da minha com elas, da ausência de ansiedade, de dor-de-cabeça, de sorriso forçado ou fugido. Afastei-me de tudo o que não quero ser no meu habitat natural e, vezes demais sou. Larguei sonhos asfixiados, verdades roubadas, ilusões mortas, sonhos desfeitos. Regresso com os dizeres da Lopes Mendes: “Nesta ilha nada se tira a não ser fotografia, nada se deixa a não ser pegada, nada se mata a não ser o tempo.”

Publicado por Teresa C. às junho 27, 2006 06:37 AM

Comentários

É a meditação que importa: deixar lastro, cinza e detritos. E tensão, deixá-la passar ao lado, rindo da sua cara apressada correndo na nossa direcção, falhando o alvo, ou espetando-se contra uma palmeira. Ou ainda diluindo-se logo no raiar do dia, no orvalho. Mas deixem-se estas imagens, o que queria dizer é o seguinte. Deixando-se isto, quando vem a altura, as decisões tomam-se. E a lucidez é mais clara, segura, límpida. Mais... lucidez. Sim... é a meditação que importa. Meditar não é pensar intensamente, de forma focada, muito concentrada num problema ou questão que ocupa inteiramente a mente. Ou melhor, aceite-se esse conceito. Mas não é essa a meditação que interessa. Mais vale o momento em que se esquece a bebida que nos refrescava porque o poente ganha um novo fôlego, num capricho de luz. E a mente se limpa, nesse instante, da última réstia de sombra e preocupação. Enquanto se inspira a brisa que traz o cheiro do mar, gritos de aves marítimas mostram a distância dos voos e os pulmões sentem como é bom sentir. Aí se percebe que a solidão é uma outra coisa e que estar consigo é essencial. E é, também, estar sem pensar. Ainda que por momentos. Mas são momentos que surgem porque nos dispomos a eles. Eu gosto de me dedicar a mim. E é quando me liberto da função de resolver as questões, os "issues", e dou atenção ao meu lugar no mundo e me sinto, que medito. De volta ao "meu lugar do mundo" - o meu lugar funcional - tomo as decisões. Tranquilamente. Um abraço, nuno.

Publicado por: troblogdita às junho 27, 2006 12:20 PM

Epá, fiquei com nostalgia daquele Brasil tão grande... e logo a ler sobre Angra, que ainda não conheço. Muito bonito, beijos!

Publicado por: Katraponga às junho 27, 2006 07:39 PM

Serenamente, a nostalgia, a beleza, a mansidão de alguns momentos da vida.

Publicado por: Tati às junho 29, 2006 07:57 PM

Do you know the mara e cloude email?

Publicado por: cristobal às março 9, 2007 08:25 PM

Do you know the mara e cloude email?

Publicado por: cristobal às março 9, 2007 08:26 PM

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