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junho 06, 2006
RALAÇÕES SENTIMENTAIS

James W Johnson
Enrabichou-se online. Há tempo, por ali entretinha o tédio de um casamento que não soubera edificar. Anónima, debitava aos homens lengalenga quente que compensasse do desgosto com ela e todos, com o desalento da profissão mal resolvida, do dinheiro curto para vida de maior encanto. Era triste o recurso, sabia, e nada lhe resolvia. Queria mais - a «rede» lançada a machos (des)ajustados não era hobby, mas teimosia numa vida melhor. Despia-se, fertilizava erotismos (dis)funcionais, fornecia à borla imagens, rugidos, vagidos, aiii... ui... oh!!!, todos produzindo, diziam, por via da sabedoria dela, orgasmos inauditos, explosivos, vulcânicos. Dela as entranhas escaldantes da terra, deles a lava ardente escorrida. Mentiam. Uns e outros. Existindo, os orgasmos eram deslavados suspiros. Ela nem um experimentava – cansara a brincadeira; todavia no ir e vir quem sabe chegaria «o tal» que lhe traria o glamour iludido? Valia a competência do marido.
Dia 15 de Maio, uma segunda-feira, decidiu conhecê-lo à saída do emprego. Sabia, pelo visto em imagem digitalizada, que não lhe satisfazia a ilusão. Serviria como remedeio. Entretém. Ele até o cabelo havia cortado e apurara o fato, mas não, não seria aquele. Almofadou o choque do impacto reafirmando amá-lo, ser o homem perfeito, desejá-lo dentro dela, e outras larachas que ele, tão descrente quanto ela, decidira tomar por verdades. E mentiam. Dali à cama foi um passo. Seduzia-os o novo. A sordidez. A ele aquilo que ela rejeitava: a pele alva com derrames dispersos e a fofura. A isto chamava ela o toucinho que ao espelho enojava. A ele também, por ora decidindo que não, que era sublime toque virginal quando a agarrava e possuía. Esforçavam semanalmente o sexo – na primeira vez até o membro ele quase esfolara –, e a cada nova sessão perdiam alento e cor. Terminada a função, era o império do vazio. Jamais o quereria. Tinha de haver melhor. E deambulava na rede - ao vivo sabia que quem buscava não a olharia. Só na teia. Salivando seda mentida. Pelas entranhas procurando alento que a fizesse acreditar num amor.
Publicado por Teresa C. às junho 6, 2006 08:55 AM
Comentários
Um retrato cruel de uma realidade muito actual, Amiga
Beijinho cheio de saudade
Publicado por: Vic às junho 6, 2006 05:45 PM
Um retrato cruel de uma realidade muito actual, Amiga
Beijinho cheio de saudade
Publicado por: Vic às junho 6, 2006 05:50 PM
Há muitos tipos de solidão...
Publicado por: Katraponga às junho 6, 2006 08:08 PM
Bom dia!
Lindo texto como todos...lol
'Terminada a função, era o império do vazio. Jamais o quereria. Tinha de haver melhor. E deambulava na rede - ao vivo sabia que quem buscava não a olharia. Só na teia. Salivando seda mentida. Pelas entranhas procurando alento que a fizesse acreditar num amor.'
Quem não gosta de acreditar no Pai Natal quando chega o Natal?! lol
Mesmo sabendo q há coisas que perdem a magia e o encanto... Ter o conceito da verdade e mesmo assim ainda pensar que é possível! ...
Ideais... somente ideais...Nunca mais ke isso! Fantasias e projecções!
Assim é o amor... o reflexo de nós no outro! Sempre o nosso Amor...O amor que desejamos e idealizamos!
Nunca...Mas nunca o Amor do dia-a dia...
Beijinhos
Publicado por: laddyc às junho 7, 2006 12:22 PM