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junho 08, 2006

TROCAS E BALDROCAS

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Stefan Pokorny

Darwin tinha razão: somos primos dos macacos. Poderá ser num qualquer «ésimo» grau,nem por isso menos primos; e lá diz o chiste que quanto mais prima mais se lhe arrima. Será?

Pêlos. Muitos pêlos. Menor assiduidade da funcionária e foi vê-los proliferar, reproduzirem-se entre eles ou por geração espontânea. Se de manhã não os via e pelo anoitecer lá estavam, seriam artes do demo ou milagre de multiplicação? Tomei a disputa a peito: eles ou eu. No fim-de-semana apliquei a estratégia alinhada: exterminá-los por aspiração e vigilância depois. Ao correr do dia, corria olhar atento pelos recantos deles preferidos. Como toca de rato mas sem buraco que os engolisse. Pior: sem queijo nem ratoeira para os apanhar. Veríamos.

Olhei os humanos presentes: pilosidades normais, aparentemente sólidas no respectivo pedúnculo. Presunção legitimidada por pelagem brilhante e forte como herança familiar. Gato omisso em parte certa - férias de mimo e desvelos – não servia como culpado. Nova arma: toalhitas agarra-lixo entraram ao serviço da cruzada. E serviram, apanharam o que puderam, conquanto por tempo curto. Varri. Persegui. Quase ensandeci. E eles... nada!, caindo suave, suavemente, como chamando por mim. Bom remédio: não os ouvi. Sendo assim, ficou o assunto arrumado – prescindi de sentidos ao que é sensato ignorar.

CAFÉ DA MANHÃ

Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores 2006 - Longe de Manaus (edição Asa). FJV merece e os leitores também. Parabéns. Muitos. Aos ramos. Aos molhos. Mas muitos. Todos não são demais.

Publicado por Teresa C. às junho 8, 2006 08:29 AM

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