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julho 01, 2006

AÇÚCAR

Olbinski Carmen.jpg
Olbinski

“My dear Moleskine!” Olho-a, palpo a macieza da capa, mergulho o nariz entre as folhas para do aroma saber o «contacto». Mas não a escrevo. Tão pouco ganho coragem para a retirar do leito que a abriga e confiná-la a uma pasta ou mala. Os cadernos de notas rafeiros, que enrolam os bicos das páginas, servem para registos vadios, porém não recolhem valor que obrigue a apurar o desenho das letras. A Moleskine sim. Em tudo que é saco e posso usar, solto caderninhos avulsos. Lápis também. No da praia, do ginásio, na mala e na pasta. Letra imprevisível como o momento ou o teor do registo. Que destino lhes dou? Uma vez por outra dou uso à ideia, à emoção, ao arrazoado. As mais das vezes, nem isso. Repletos, acumulo-os, até o pó entrado pelas frinchas do armário motivar mexida. Eventualmente, sento-me no chão, os cadernos como cartas desembaralhadas, e leio partes, daqui e dali. É para isto que servem: reter momentos e da água que corre o breve cintilar. Ou para, então sim, brincar com a ideia e escrever. Limpos, regressarão ao armário aguardando que eu ou alguém lhes toque e eles falem do tempo que vivi.

Ontem registei: “Perdeu a Argentina e vai a Alemanha à semi-final. Demitiu-se o Freitas do Amaral por oficiais razões de saúde ou pelas que por bem lhe aprouve silenciar. Trocaram-se os pares no governo como corridinho algarvio ou dança ribatejana - a festa do Colete Encarnado arrancou ontem." E quem se lembrará das danças e contradanças da banda socrática se o espírito é de os pegar pelos cornos e fazê-los bailar na arena, para glória e mérito dos forcados, estejam os touros em Vila Franca ou na Alemanha? Viva o espírito de tertúlia, viva a fé mais o peito arqueado, vivam os aficcionados, vivam as pernas rijas, viva a matreirice e a arte lusa, vivamos nós! Docinha como pinhão em mel - até as touradas branqueio...

Publicado por Teresa C. às julho 1, 2006 08:58 AM

Comentários

"vivam as pernas rijas"; É... a carne quer-se tenra na mesa e dura na cama.

Publicado por: JG às julho 1, 2006 10:26 AM

Usas moleskines? :)

Publicado por: Katraponga às julho 2, 2006 06:33 PM

Não uso moleskines, mas tenho uma sim, e bem basta a que tenho para de tanto simbolismo carregado não saber que lhe fazer. Quanto à carne, mole na cama «tasse bem», dura na mesa é que é insuportável.

Estou tão venenosa hoje!...

Publicado por: Tati às julho 6, 2006 09:03 PM

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