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julho 29, 2006
ADAGI(and)O

Sorayama
“Lepores duos insequens, neutrum capit - Quem corre atrás de dois, um vai embora.”
O paciente Jacó é exemplo:
Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.
Os dias, na esperança de um só dia,
passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.
Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada sua pastora,
Como se a não tivera merecida,
Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: – Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!
Serviu Lia, servindo Labão. Permaneceu o pai e foi-lhe negada Lia. Os que da paciência se servem e por ela exultam pelo desejado obtido, que matutem e da paciente virtude se sirvam almejando bens à-vez-à-vez.
Há adágios que o tempo esborratou até restar frase inconsequente. “Mais vale uma hospedeira na mão que duas a voar” é chiste comum. Longe, todavia, do pragmatismo de “mais vale uma na mão que duas no sutiã.” Nem adágios, nem chistes, ainda menos verdades aristotélicas, convencem os humanos que comedimento é prova de juízo. Não fosse a sensatez contínua um tédio, virtuosa, fazer bem a tudo, e teria mais praticantes. Aliás, tudo que é rotineiro e fora do rol dos pecados, começa, a dada altura, a saber mal – como água choldra ou cerveja quente.
Pecadilho ocasional, apetite transgressor das normas e convenções que regem cada um, é risco leve no lustro pessoal. Se o apetente não virar do avesso as próprias (boas) convicções, é condimento a ponderar. O aspirante a pecador menor necessita mais de paciência que de prudência. Desta tem para distribuir e ficar. E em tempo de verão, a cinética do líquido termométrico subindo como gota de água em zinco quente, nem é preciso ir longe – a casa serve. Um «a mais» de excelente branco gelado, gorda taça de gelado de lima e leite condensado, lençóis esticados e corpo abandonado ao que der e – ou não – vier, é bom que seja pecado. Tem mais, graça... Sei bem porquê.
Publicado por Teresa C. às julho 29, 2006 09:53 AM
Comentários
E o final da história bíblica, não merece ponderação? :)
Publicado por: L às julho 30, 2006 09:25 PM
Se merece... Mas em tempo de verão quem está para mergulhos bíblicos? ;)
Publicado por: Tati às julho 31, 2006 06:39 PM
Merecer, merece, mas em tempo de verão quem está para mergulhos bíblicos se os outros garantem frescura? ;)
Publicado por: Tati às julho 31, 2006 06:53 PM