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julho 02, 2006

BAGAS DE SABUGUEIRO

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James Knowles

Escarafunchando negrumes colectivos, a desconfiança nas qualidades próprias é mal menor. Verdade é a alma portuguesa conter uma azinheira onde, a qualquer momento, pode surgir a Senhora das Aparições. Na verdade, uma azinheira nem adianta nem atrasa, não embeleza ou acresce energia. É árvore ressequida e modesta. Vale por ser poiso e pelos espinhaços e folhas de bicos salientes a imporem-nos expressões doloridas nas filas dos transportes, nas salas de espera dos centros de saúde, na rua ou em viagem. Entremeados com estes penares, atingimos arroubos místicos de que os passamentos são o expoente maior. Sejam lembrados os da Senhora Dona Amália, da Irmã Lúcia e do mui querido Papa João Paulo II. As multidões quase tocam os céus sem sair do empedrado do passeio. O mesmo nas peregrinações comemorativas dos surgimentos da Senhora na divina azinheira. Fazem e cumprem promessas corpos ajoelhados, sofridos, crentes numa fé inquinada de superstição que consegue, por miraculosa contradição, devolver esperança à vida.

Partilham a azinheira e estimulam empolgantes devoções, personalidades(?) em contextos de emoção excepcional – os magos da selecção, a Floribela, o Tony Carreira, Cavaco e Silva no período eleitoral, o Sócrates como pólo de um indefinido amor/ódio nacional, Pinto da Costa e o Alberto João, o Major Valentim e a Fátima Felgueiras. Perante modelos tão contraditórios, oscilamos entre picos de euforia e ilimitada (des)confiança no que somos, na expecTativa de feitos grandiosos à escala mundial, enquanto o espírito sabujo nada vislumbra na azinheira e diz-se sem sorte. Pela e com a azinheira evoluímos a personalidade colectiva. Quem lá poisa, muda, a azinheira fica.

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Autor que não foi possível identificar

Publicado por Teresa C. às julho 2, 2006 10:58 AM

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