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julho 09, 2006
HISTÓRIAS DE (DES)ENCANTAR

Greg Horn
“Um dia tramado!” diria ele ao regressar a casa. Pela manhã, a rotina trabalhada a cada recomeço. Ao almoço, intervalava. Alimento e quebra prazenteira que a cada passo impediam - telefonemas, pedidos de presença, queixas e miminhos. A primeira domesticara-o e ele a ela, salvo as rebeldias inerentes a mulher de pêlo na venta, porém trabalhadeira e pessoa boa. Fora o primo-casamento que ele desarranjara. Injusto comentário! O conúbio estava naquele estado meio-caldo, meio-frigo, fácil de (des)equilibrar. Foi quando ele entrou como a ilusão possível, o desejo (re)descoberto, qual vontade de uma lipoaspiração. Não havendo verba para o cirurgião estético, ele fora o lifting que ela jamais faria dada a continência da vida sacrificada. Divórcio conveniente. A outra viria depois.
Na vida acompanhada por consorte de nomeada, tinha o que para a mulher comum era mais que desejado. Qualquer outra preservaria o achado que o companheiro constituía como ouro moído em cofre de segredo bem escondido. Não ela. A paixão pelo respectivo durara mais que previsibilidade optimista. Já ela se desencantara, quando ele apareceu. Antes, fora uma ilusão precária a dar-lhe sinais do estado relacional: afastara-se objectivamente do companheiro e daí em diante o afecto seria esforçado. Não o abandonaria: homem desprezando-a enquanto pensante, todavia reservando-lhe fidelidade e respeito, é raro. Por esse tempo não se estimava ela por aí além. Indícios esparsos e a crescente consciência de si devolveram-lhe o próprio apreço. Esse foi o mal. Não perdoou ao companheiro a despicienda opinião da sensibilidade e argúcia que a caracterizava. Caiu nos braços do «outro». Num despacho, arrumou a trouxa e ala que se faz tarde. Arranjou casinha e uma vez por outra recebia a visita dele.
De predador não tinha estilo ou vontade. Seduzi-as mais por desenfastio ou exercício de manipulação do que por fé nos próprios recursos para a função. Caíam como moscas apanhadas em mistura de vinagre e mel. Por residentes, (cada uma em su sitio, claro!) contava a primeira e a segunda. Outras havia. Durante a semana, intervalava fantasias calientes de hormonas trintaneiras. A uma fazia «vir», na outra «vinha-se» ele, com a terceira vinham-se os dois. Mais haveria. Ou não. Os anos não perdoam. Procriador de serviço não lhe assentava a especificação. Ilusionista? Amante? Enamorado? Afectuoso espírito e carne leviana? Que interessa?! Ele é a personagem inventada por cada mulher. No palco das ilusões o cair do pano remete-o à (in)consciência. Ilude-a também.
Publicado por Teresa C. às julho 9, 2006 10:09 AM
Comentários
Que fôlego!
:-D
Publicado por: troblogdita às julho 10, 2006 12:33 PM
Parecem as imagens das brochuras dos Jeovás!
Publicado por: Quintanilha às julho 12, 2006 07:41 PM
Lol!!! E não é que tem razão?
Publicado por: Tati às julho 18, 2006 03:28 PM