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julho 17, 2006
LOOK

Jan Bollaert
Homens autores de blogues conheci, rosto a rosto e desde que o «Pénis» existe, quatro: José Carlos Abrantes, André Carvalho, Pedro Mexia e Francisco José Viegas. Todos afáveis. Todos inspirando simpatia. Sendo exíguo o conhecimento dos primeiros, dos últimos o pecúlio de informação é, pela obra publicada, mais alargado. Arrisco a declaração: o Francisco José Viegas e o Pedro Mexia são uma perdição. Uns giraços. Uns pães. Vale-me a ordem social que de ambos me mantém afastada. É que estes homens fulminam uma mulher. Mais poderosos que relâmpagos certeiros de trovoada seca, apetece, com risco de sair chamuscada, roubar-lhes cinco minutos de conversa. Empresa mais árdua do que parece – seres do Olimpo não andam para aí distribuindo converseta a mulheres sem predicados de excelência.
Matutei na causa de tanta sedução concentrada, qual pastilha de Aspirina efervescente ou de vitamina C. A primeira razão, no que me concerne, é óbvia: não são bonitos. Desde logo, me garantem o condimento que necessito: curiosidade. Descobrir o que os faz deixar longe do Keanu Reeves ou do Pierce Brosnan. Porque neste início de avaliação é sobre o aspecto que me debruço, direi que aprecio figuras fora dos ditames estéticos usuais. No Francisco há aquele “je sais bien quoi” reflectido no olhar perspicaz equilibrando encanto e vivacidade lógica. No Pedro é o mistério. A distância. A lentidão dos gestos. E o olhar. Inevitavelmente. Reproduzindo o que a figura sugere.
Do que da escrita de ambos escorre, a matreirice no conúbio das palavras, a postura de voyeur social, a intervenção cirúrgica no exacto momento em que ela é fundamental, impõem-se. Lidas obras literárias dos dois, a lentidão como luxo – não apetece terminar! –, posto-me, queda, perante dotes soberbos. E não. Este arrazoado dispensa qualquer vestígio de bajulação. Nem eles me lêem, nem qualquer dividendo do que escrevo espero. É tão somente impressão forte e pessoal que no anonimato publicito. Abençoada distância a que de ambos me encontro – ficam eles livres de uma basbaca e eu de platonismos sem retorno.
Publicado por Teresa C. às julho 17, 2006 08:40 AM
Comentários
Uma coisa curiosa que tenho reparado nos blogues, (quase) todos falam de futebol, do mundial mais concretamente. Qualquer dia estamos todos a ler ''A Bola''. Ou o ''Record'', dependendo da sensibilidade de cada um...
Publicado por: Ferdinand C às julho 17, 2006 03:17 PM
Os dois juntos não davam um homem de jeito. Quanto ao deleite intelectual, rica, nada como um bom livro, os deles ficam-se pelos quiosques.
Vá por mim, antes um inteligente esforçado do que um intelectual balofo! Eu cá prefiro os atletas, mas isso sou eu, está bem de ver.
Muá linda
Publicado por: milena às julho 18, 2006 07:37 AM
Bolofos e bolofas já conheci com e sem óculos, com e sem músculos tonificados, frequentadores assíduos de ginásios e olímpicos debitadores de citações, milena. Fere-me a facilidade com que diz de pessoas que penso não cenhecer "os dois juntos não davam um homem de jeito". Ainda assim compreendo que o diga sem qualquer intenção ofensiva. E apenas no contexto do ideal. E eu também terei os meus. Mas digo-lhe que muitas vezes basta-me a voz, o olhar, o gesto, o toque de uma mulher concreta, próxima de mim [muito distante desse ideal] para me fazer esquecer o que a minha imaginação e o meu desejo idealizam.
Publicado por: troblogdita às julho 18, 2006 03:06 PM
Gostos! Aprecio sensibilidade, inteligência e bom senso. Não levo em conta onde e quando as obras literárias que me tocam ou falam estão à venda. Importa-me o gosto que me dão ao fruir do dedilhar das páginas. Os casos que referi são garantidos, os autores um encanto. Mesmo não o sendo, pela produção literária, afinal o que realmente conta, dar-me-ia por satisfeita.
Publicado por: Tati às julho 18, 2006 03:50 PM
:-D
inventei duas palavras novas...
claro que queria dizer
"balofos e balofas" e não bolofos e bolofas.
Publicado por: troblogdita às julho 18, 2006 03:51 PM
E inventaste muito bem ;) Nada me confunde o prazer de te ler.
Publicado por: Tati às julho 19, 2006 11:29 AM