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julho 31, 2006
PÉ NA CHINELA

Ted Hammond
Para conhecer bem qualquer coisa é preciso medir. Medir muito. Calcular o erro. Desvios. Voltar a medir. De tanta medição da grandeza a que a «coisa» obrigue ficam números. Cálculos. Contas e mais contas a deixarem longe as de contabilista encartado em tempo de entrega do IRS. A ciência é assim. Precisa de suporte matemático como a Maria João Pires de (ainda mais!) subsídios e reconhecimento nacional e o Joe Berardo de gerir a colecção que doou (vai doar?) ao País. E nem a crítica ao Cavaco falhou. Ora, nisto, exasperou-me. Mais do que a matemática às (algumas) gentes.
Os orangotangos do Bornéu são atacados à facada pelos plantadores de palmeiras. A hora errada no sítio errado – os palmeirais como habitat no tempo em que dos frutos são extraídos óleos para fritar batatas de pacote, fazer margarinas e cremes de beleza. Os «donos» do negócio chegam a destruir florestas para manter em alta o negócio. Má seja a comparação, estou para o Cavaco Silva como os plantadores de palmeirais para os orantogangos. Explico: embirrei com o Professor anos a fio – torcia-me os neurónios, que fazer? – e agora, que por isto e mais aquilo a simpatia cresce a olhos vistos – a viagem de comboio com a mulher, filha e netos, só faltando o cesto da merenda como nos idos da ruralidade, enterneceu-me! -, levo a mal críticas ociosas ao pai da família portuguesa. Não esgano ou esfaqueio, nisso me distingo dos gananciosos do Bornéu, mas que diabo, não havendo palmeirais porque teremos orangotangos a mais?
Voltando às medições. “Tirar as medidas” a alguém é hábito social. De avaliar, organizar a guarda avançada dos preconceitos, pôr carimbo redutor após conhecimento breve, ninguém enjeite a culpa. Todos fazemos. Como plantadores de palmeiras: arrasar primeiro, quem vier atrás que preserve depois.
Publicado por Teresa C. às julho 31, 2006 09:23 AM