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julho 22, 2006
RALAÇÕES SENTIMENTAIS

Autor que não foi possível identificar
Mulheres que esmoem algum tempo lendo o que escrevo: quando os vossos homens forem para a noite de Lisboa não há perigo que vos atormente. Deixem-nos ir! E não é literal a frase, que para ausência do doce e, quiçá, fecundo lar, nenhum dos dois no casal requer autorização em papel timbrado. O mais que pode ocorrer é uns dizeres alfinetados e umas trombas na ida é à chegada. Somos conhecidas pelo requinte dos nossos amuos. Pela lâmina do nosso linguajar quando eles passam a fina linha do nosso desagrado. Não merece a noitada que lhes voltemos as costas na cama quando, pé-ante-pé, eles regressam ao espaço domesticado. Mais defendo: salvo execrável fedor etílico que recomende enfiá-los num duche de água fria para fruirmos de um sono arejado, venham eles sóbrios e merece a saída mútua curtição. Sugerir com doçura uma breve descrição do acontecido, eles podres de cansaço e nós finas como um alho, é momento alto da conjugalidade.
Os avaros no verbo ou na verdade que dizem “Hein? Ora, passou-se menos mal. O costume!” são bombas detonadoras da nossa adrenalina quadrilheira. Imprecisos, habituadas que estamos a lê-los nas entrelinhas e pela expressão, será memorável do relato fazer a tradução. Os loquazes são divertidos, e roubar ao sono fatia para um humor abrilhantado pela cumplicidade, deuses... que gozo, que pico histórico na mornice diária! Aos danados para a brincadeira e conservadores no que é ou não legítimo a respectiva saber - não ofendam a virginal ignorância que somente uns tansos podem julgar existir! -, teremos de educar pacientemente. Umas picardias brejeiras soltas pelas nossas adoráveis boquinhas nas ocasiões em que o estilo, o chique, o bom-senso e as roupas vão ás malvas costuma ser iniciação a preceito.
A noite de Lisboa é efectivamente uma pepineira. As moçoilas apetitosas como alheira de perdiz, raramente dispensam ao fogo masculino que não luza automóvel estiloso e cartões que provem na hora a generosidade da conta bancária, mais do que sorriso torto, requebro displicente ou um alçar de rabo que signifique: “olha-me para este parvo!” As raparigas normais não valem um Trincadeira Reserva. Para isso têm eles a Clotilde do backoffice, com um valoroso par mamas e nádegas, qual isqueiro criminoso deflagrando incêndios em mata alheia.
Depois, há as passarelas das importadas e da nata nacional. Eles metem dó! Babam-se, riem muito se estão em grupo, fazem um teatro danado, e à custa de uns euros bem bons lá conseguem que a escolhida na montra do show(?!) ou do vai-e-vem-circulante se roce neles. O tempo a contar. Sem tocar. Nem ali, nem no privado. E se elas são boas! Perfeitas. Esbeltas. Muito bem despidas se o palco do leilão imitar o requintado. Eles vêem de lá piores do que entraram. Andando com um humor de cão ou sem fôlego para levantar sequer um braço, quem beneficiará no final da noite? Pensem bem! Não tendo amásia livre, as espertalhonas conjugadas terão uma noite de truz. Nem mais!
Publicado por Teresa C. às julho 22, 2006 10:15 AM
Comentários
Ao comentador que aqui deixou dois registos, peço desculpa pelo «apagão». Ao eliminar lixo exlectrónico, foram, por engano, varridos também.
Publicado por: Tati às julho 24, 2006 08:34 AM