« TELEGRAMA | Entrada | RALAÇÕES SENTIMENTAIS »

julho 21, 2006

TRETAS ESOTÉRICAS

Ossi Hiekkala 2.jpg
Ossi Hiekkala

Tretas – lérias, palavreado enganoso.
Esotéricas – misteriosas, estranha, secretas, ocultas.

O fogoso torneio na Assembleia não teve corcéis à altura. A estrela da companhia é personalidade notável, primaz na coragem e competência. Na educação revelou fundo conhecimento de regras e ardis e vícios e más práticas que à socapa contagiavam virginal candidato a professor. Dos professores, alguns, logo á partida, arrastavam doença letal: escolhiam a carreira pela exclusão daquelas que o gosto pretendia. Pré pago a tempo e horas, progressão garantida, ausente o risco de vir a ser despedido e pela sombra, de mansinho, iam ficando. Boa vida, férias e lérias – um fartote! No final da carreira, maus ou excelentes profissionais em nada eram distinguidos. Sucessivas gerações testemunharam o atrás dito. Governantes e governados encolhiam os ombros e soltavam um chocho “Paciência! Em tudo há bom e mau.” À assertividade da ministra é devida a ruptura com o que lá vai.

O desastre dos resultados dos exames nacionais de Física e Química foi no campo do torneio - o hemiciclo - o boneco sobre o eixo. A ministra desempenhou sem brio o papel de competidor obrigado a reflexos rápidos que evitassem golpes e contragolpes. O chorrilho de disparates saído da boca de deputados era lança de pinho, as montadas, uns asnos. Evidência: reforma antiga (de 89) que pára e recomeça com o governo PSD e pára enquanto a tropel avançam os programas nos curricula. Começados e continuados sem que do esoterismo da situação, salvo os professores e respectivas associações, alguém dissesse «ai» ou «ui». A apoteose, passado o 10º e o 11º anos, foi o 12º. E viu-se o que se viu.

Alunos e professores de Física e Química do 12º ano viram-se com o bebé gritando nos braços sem que o soubessem embalar. Um programa (mal) concebido para disciplina de opção isenta de exame nacional, jamais testado e parco em orientações. Interpretado de modo diferente consoante os autores dos manuais, escolas e respectivo equipamento laboratorial, ou a percepção que na mesma escola cada professor teve apesar das planificações comuns. Os novos programas pareciam corpo de pobre – tudo lhes servia. Prova modelo, nem vê-la. Deu no que deu.

Na Assembleia, o torneio esqueceu as vítimas. Tal como nos jogos medievais houve cavaleiros vendendo a sua participação em troca de algum tipo de bem – no caso por ela cobrando destaque mediático. Antanho, qual o prémio dos torneios? Riqueza. O retirado da equipe adversária só devolvido contra pagamento de resgate. Espaço para descarregar tensões. Ferimentos e mortes. Da seriedade em primeiro lugar. Lérias de cavaleiros mal equilibrados nas montadas. Jogo aristocrático. Dezenas de participantes. A dama não largou a mantilha ou deixou cair o lenço. Mas que não nasceu para jogos e foi incapaz de prevenir o erro, foi visto.

Publicado por Teresa C. às julho 21, 2006 09:15 AM

Comentários

Comente




Recordar-me?