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agosto 29, 2006
CABRESTOS DA ALMA

O Vaticano é especialista. No mundo ocidental, é dos poucos regimes ditatoriais sobrantes. Pela autoridade abrange milhões de seres, punindo desobediências pelo pecado mortal ou excomunhão. Noutras religiões vigoram sistemas radicais com crueldade física e moral. No Vaticano, não - é radical, mas subtil (não atrai com virgens ou castiga à pedrada). Justifica por isso, que às determinações obedeçam muitos católicos conformados ou acríticos. Ora, se Cristo alegadamente libertou o mundo espiritual através da tolerância para com as fragilidades humanas e da rebeldia perante normas injustas, são incompreensíveis as danações papais. Quais cabrestos das almas, as regras emanadas da maioria ultraconservadora que rege o mundo católico, por cada apreciação das descobertas científicas tem na manga larga uma condenação.
Passado que foi o negro período das imposições aristotélicas pela vontade papal – à volta da Terra plana girava o sol, é exemplo clássico -, o sistema que me governa, enquanto católica, pouco mudou. Concedo que não vou alimentar fogueira por pensar o que escrevo, mas da outra, da infernal, acreditasse eu nela – assim, como assim, o bilhete só de ida para o Inferno estaria comprado - e neste mundo a vida seria de desbunda total. Para quê, inquiriria o raciocínio lógico, ter vida pura, se pelo pensamento estava condenada?
A bem da sanidade mental, não creio em fogos, purgatórios ou paraísos. Procedendo bem ou mal, guiam-me valores conscientes. Sou católica por crer num Deus que escolhi, após a respectiva apresentação pelos pais e avós e todos os que conheci e já lá vão. Poderia o Deus ter outro nome. Diferentes normas ou predicados. Mas seria à mesma entidade criadora que, no limite do raciocínio científico, significasse o começo e o sentido das coisas - pela fé, pelo pulsar de uma esperança obstinada, pelo magnificente imbróglio que é a civilização.
As células estaminais obtidas sem danos ao embrião, não chegam para convencer as silenciosas figuras que se movem em passo miúdo na sombra dos corredores. São os conselheiros e forças de pressão da Igreja, a par do conservadorismo de Bento XVI, que nos danam ou abençoam – se és obediente “a paz esteja contigo”, se não “ou te arrependes ou estás feito, pá!” Comigo isto não pega. Cabrestos do espírito, não!
Publicado por Teresa C. às agosto 29, 2006 08:43 AM
Comentários
Uma leitura interessante. Não sobre células estaminais, mas sobre os caminhos de quem não deixa de ser católico ou cristão precisamente neste contexto em que a Igreja Católica é... o que é. Mas não consegue estar em consonância com a linha da Igreja.
Muito, muito interessante.
O autor é Josep Castelló.
http://www.atrio.org/?p=315#more-315
Publicado por: troblogdita às agosto 31, 2006 09:50 AM
Uma leitura interessante. Não sobre células estaminais, mas sobre os caminhos de quem não deixa de ser católico ou cristão precisamente neste contexto em que a Igreja Católica é o que é.
Muito, muito interessante.
O autor é Josep Castelló.
Publicado por: troblogdita às agosto 31, 2006 09:58 AM
Vou atentar e comentarei. Beijinho.
Publicado por: Tati às setembro 4, 2006 05:36 PM