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agosto 24, 2006

CASA E PUCARINHO

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Robert Mcginnis

Casar merece ponderação. À uma, porque a cerimónia religiosa ou civil ou é presente dos pais ou dívida para lavar e durar até ao secundário dos filhos que não tardarão. Às duas, porque não casar vai deixá-la de trombas o resto da vida e espalmar o desgosto nas ventas em repetidas insinuações. Filhos de imediato ou mais tarde? De ambos o «acidente», dela a decisão cerebral a que o útero obedecerá ou não. Às três, a aliança confere a homens e mulheres o estatuto de desejáveis no mercado dos affairs e dos amores. Aliança no dedo é farol – se alguém os quis e quer, por alguma e excelente razão será -, certificando na medida possível que homossexuais não são. Rematando: o compromisso de casa e pucarinho está longe de afastar os parceiros do mercado das aventuras de ocasião.

A idade dela e dele é item de reflexão. Querem-na tenra, bem fresca e apetitosa? – irão aturar-lhe o crescer, mais os desejos de autonomia, mais a falta de experiência, de cultura e o excesso de gíria. Mais madura (leia-se mais velha)? Hipótese vantajosa – pela lei das probabilidades marchará cedo e trará menos incómodos, salvo as fraldas, tremuras, arrastadeira, a memória esvaída, agenda preenchida por exames e consultas médicas regulares. Idas a consultórios, hospitais e centro de saúde tomam o lugar dos acontecimentos sociais. Nos roupeiros o espaço para roupa de «ir ao médico» será maior que a destinada aos chás com as amigas - também estas terão dificuldade pelas mesmíssimas razões em concertar data para a reunião. Pormenor não despiciendo será o horário das refeições. Pequeno almoço às oito e meia, almoço ao bater do meio-dia e jantar às sete – a medicação obriga e apreciam estar disponíveis antes dos telejornais. As novelas sucessivas ocupam o serão. E depois é sempre assim. Ao domingo, o ramerrão muda por motivo ponderoso – missa dominical.

Ficar só? Não sei, não... Obriga a psique forte e variado entretenimento pessoal sem dependência de outrem. Vantagens são mais que muitas – passarinhar nua pela casa, depilada ou não, máscaras de beleza, refeições, extravagancias domésticas e tristes-figuras sem testemunho censor. Inconvenientes? Assim de repente... Pensando bem... Nenhum!

Publicado por Teresa C. às agosto 24, 2006 10:03 AM

Comentários

Pois é Tati, inconvenientes também não encontro nenhuns agora vantagens é uma lista que nunca mais acaba :)

Publicado por: mad às agosto 24, 2006 10:30 AM

Pois é Tati...

Pouco de bom, mas a verdade é que não deixam de fazer tentativas e, confessadas no caso da Tati, já lá vão três e se bem me lembro com a curiosidade de ao bater dos sete anos ala que se faz tarde.

Uma curiosidade: normalmente quando se erra ( não se acerta) tanto normalmente acaba-se com o primeiro. vamos esperar para ver como S Tomé!!!!!

ccbbbbbbbb

Publicado por: ccbbbbbb às agosto 24, 2006 11:45 AM

Juro que me fazes lembrar a voz off da série Donas de Casa Desesperadas... No teu caso, Dona da tua casa que pacificamente habitas. Mas atenção... cuidado na banheira, um trivial sabonete pode deitar por terra (ou pela banheira) a perfeição. Nessas alturas nem os gatos nos salvam... Um companheiro merecedor saberá ouvir ao longe o valente tombo e socorrerá imediatamente, é um risco eu sei, mas um gabirú em casa há-de servir para alguma coisa... entretanto, o sabonete líquido é nosso amigo. Beijos Tati.

Publicado por: Ferdinand C às agosto 24, 2006 12:52 PM

A bem dizer...assim de repente...apetecia-me experimentar.Sentir novamente o meu ritmo, que já naõ sei bem qual é.Porém, após 26 anos de casamento-é obra!-e descendência adulta mas muito caseira (por enquanto) que me entra portas dentro com amiguinhos, namoros e muita fome para saciar a horas certas e incertas,parece-me difícil reencontrar antigos estados de alma que já se perderam nos confins da memória.Mas que faz falta fechar a porta de vez em quando e ter um tempinho para mim, isso eu não duvido nem prescindo.
A alegria da casa cheia, a balburdia salutar em que vivemos( neste momento fazem-me (eles) o almoço e gritam-me para largar os blogs e descer à terra) dá-me muita força por aqui continuar.

Publicado por: adalberth às agosto 24, 2006 01:11 PM

Mad - vejo que a sintonia entre nós persiste. :)

ccbbbbbbbb - Não me conhecendo, adora deitar barro à parede, certo? Agora, por favor, não me subestime! Só três? Lol

Ferdinand C - agradeço os conselhos, mas quem disse que eu vivia sozinha?

adalberth - entendo e sinto o mesmo.

Beijinhos

Publicado por: Tati às agosto 24, 2006 07:35 PM

Viver com outra pessoa não é fácil. Não é fácil mesmo, e muitas vezes pensamos, se não tivesse ninguém para atasanar o juízo com horários, responsabilidades, trabalho e mais trablaho, às vezes queremos tempo para nós e népia, pior e quando a carinha laroca do lado não sorri, nem que seja para animar. Viver sozinho não é bom, mas também não é mau.

Publicado por: Sandro às agosto 24, 2006 09:19 PM

Parece-me uma visão muito romanceada (antiga) da vivência a dois. Hoje não existe roupa especial no roupeiro para 'ir ao médico'nem para o 'tal chá com as amigas'. As próprias tarefas domésticas não têm sexualidade no que concerne ao 'obreiro'. Agora o viver SÓ - isso sim é sublime - sem ninguém a 'atrapalhar' quando não me apetece fazer nada ou me apetece fazer tudo. Porque não sómente cohabitar em situações de necessidade, sejam elas de que indole sejam, s´mente quando 'nos apetecesse' ESTAR?

Publicado por: rural às agosto 28, 2006 11:19 AM

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