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agosto 30, 2006
QUANDO ELAS FALTAM

Elvegren
Ao princípio estranha-se, depois entranha-se. Antes do último dia de Julho, parece ser a fuga a melhor solução. Displicentemente, substituímos o temor por encolher os ombros e desabafar: “vou de férias, quero lá saber! No regresso se verá.” E vê-se. Pó por todo o lado, máquinas de roupa para engomar, refeições a cozinhar, reabastecimento da despensa por fazer. Sem hipótese de na véspera recorrer ao telefone e pedir: “antes de chegar compre caldo-verde. Ah, e caldos de galinha. Já agora, um requeijão para a tarte do jantar” Mas não. Elas, finas como um alho, põem-se a milhas deste e outros S.O.S. Fazem bem.
Remando com frequência ao arrepio das correntes, a cereja no bolo pelo final de Agosto é não partilhar majestades domésticas. Anos de experiência permitiram-me antecipar o problema e transformá-lo num prazer. Casa minimalista em móveis e objectos, tapete único na divisão que me atura taras e manias, soalho à vista nas restantes. Nas paredes profusa arte de que não prescindo. No chão sobriedade de haveres. Depois, há as toalhitas que «varrem», que «lavam» e as que «limpam o pó». Adeus vassoura, esfregona e espanador. A engomadoria faz o resto, cozinhar é um prazer. Nada mau.
Trato de fruir do acordar tardio sem chave rondando a porta pouco passando das oito. Sem conversa e perguntas e dúvidas existenciais sobre os bifes se recheados ou não. Faço o café ao sabor do dia, não engulo sem escolha o que me é servido. Odiando supermercados, seja qual for o tamanho, passo de raspão pelo mais próximo satisfazendo as necessidades diárias. Dias meus. Sem elas, creiam, não se está nada mal.
Publicado por Teresa C. às agosto 30, 2006 01:26 PM