« PÉ NA CHINELA | Entrada | BON CHIC, BON GENRE »

agosto 01, 2006

RALAÇÕES SENTIMENTAIS

Peter Buddle.jpg
Peter Buddle

Chegado o calor e os corpos desnudos, bronzeados, peles de brilhante cetim dourado, trapos finos como reveladora segunda pele, é chegada a hora de tocar a sirene que só as mulheres ouvem e fazer jorrar das mangueiras água tormentosa que não deixe vacilar o nosso homem perante o mulherio circulante. Fossemos redutoras, e os homens afirmados comprometidos dividiríamos em três categorias:

- predadores – homens que julgam a poligamia um inalienável direito masculino;

- receptivos - disponíveis para uma aventura mas preferem esperar que ela lhes caia na sopa;

- certinhos – tentam ser fieis mas extremamente vulneráveis ao romance e a tropeçar na alma gémea.

No feminino qualquer dos itens não perde actualidade.

Havendo da infidelidade provas concretas, é a confiança que mais sofre com o golpe. Quando irrecuperável, cedo ou tarde diverge em dois o caminho. Sarada, melhor seria dize-la remendada, o casal pode evoluir e repensar a relação. Aceitar que o outro não nos pertence e tão pouco o queremos por companhia com o afecto partido, é trilho árduo, porém sem digna alternativa para uns, para outros o caminho possível. Ardis, guerrilhas ou reles estratégias somente aviltam quem delas faz uso. E não adianta negar – a farta maioria dos seres espera que a companhia sonhada lhes caia nos braços em voo picado. Caramba! Somos molengões até no tomara-que-caia duma conquista.

P.S. O mundo dos blogues é como outro qualquer para engates de ocasião. Deve ser, digo eu, porque isto de receber um deslize de ciúmes sob a forma de mail é obra! Ora, sossegar alma feminina é gesto que muito me apraz. Vai ver, e o «seu»(?!...) homem anda à cata de meninas bonitas em poses ousadas, que não atem nem desatem como as daqui, estando completamente nas tintas para as palavras que é suposto servirem. Chegadas a este ponto, minha cara, apazigue o espírito – assegure-se de aprimorar as prendas que em si contam e o fascinaram. Ele não repara? Pior para ele!

Publicado por Teresa C. às agosto 1, 2006 09:01 AM

Comentários

Essa parte do Amor nunca é consta das histórias... Afinal, também ele implica esforço, luta... Trabalho!?

Publicado por: BadSeed às agosto 1, 2006 09:17 AM

O calor que não se pode ... ai ... e a líbido que borbulha ... é bem verdade tudo isso Tati. Mas nestas coisas das historietas, deslizes e patinadelas há sempre algo que falha no argumento: se deslize quase exclusivo dos homens, (que as mulheres são parte vitimada), então, mas com quem deslizam eles afinal?

Publicado por: Eufigénio às agosto 1, 2006 10:03 AM

Eu chamo o "meu" homem para ver. São tão bonitas, tão irreais...

Publicado por: maria às agosto 1, 2006 01:48 PM

:-D Eu costumo usar a palavra predador, mesmo fora do contexto dos casos extra-conjugais e da infidelidade. Ou nem tanto. A tipificação e as categorias são tão certeiras, é tão mordaz a caracterização que apetece uma pequena subversão. Ou talvez apenas apropriação. O contexto em que uso a palavra predador é o a procura de parceiro. Ou parceira. O de início de relação, aventura, "one-nigth-stand", contacto imediato de não sei quanto degraus, futuro casamento. Claro que o predador de que falo não tem muito apetite para relações, ele é mais predações. Assim que a presa é presa, que a conquista foi conquistada, começa a perder o encanto que o tornou um apto predador na selva onde se movimentou agil e sofisticadamente. Ele é acima de tudo um predador social. Por isso situo a minha tipificação quanto à atitude e à motivação perante um novo parceiro. O predador. Novo, é o que um parceiro precisa de ser, acima de tudo. E, claro, como o seu ego lhe dá uma ideia grandiosa de si mesmo, ele procura presas difíceis. Apetitosas. Suculentas. Mas assim que conquiste uma, já o seu faro apurado lhe mostra haver outra no horizonte, ainda mais inacessível. O receptivo. Este não anda à procura de nada, é certo. Sabe existirem feras mais aptas. Prefere "deixar as coisas acontecer". Costuma dizer que "nunca se deu mal com isso", e que além disso "tem os olhos bem abertos e um coração grande". Certo é que a sua sofreguidão às vezes assusta alguns candidatos, ou candidatas. O Certinho - Este, ou esta, já tem a sua vida toda esquematizada. Seja porque a sua actual relação já está planificada, com os anos que em deverá manter-se no actual patamar até passar ao seguinte e não admite surpresas, seja porque não tendo relação nenhuma se dedica com fervor fundamentalista ao emprego ou a um hobby de forma obssessiva, dizendo a si mesmo que a última desilusão não o magoou e que já está esquecida e que nunca mais ninguém magoará assim aquele coração, que, de resto, está fechado para obras. Quando surge alguém que provoca algum tipo de sentimentos no tal coração fechado para obras, verifica-se geralmente um comportamento errático, intermitente com periodos de amuo, ou novas incursões em fundamentalismo - seja na planificação pessoal, seja num trabalhalcoolismo derradeiro e derrapante.

Talvez qualquer um deles, ou delas, tendo já uma relação estável [até a um predador acontece], e perante o calor... possa tornar-se um potencial:
- predador
- receptivo
- certinho
... ou manterão a sua tendência?
ou estarei eu a delirar com o sono?
um abraço
:-D

Publicado por: troblogdita às agosto 1, 2006 11:14 PM

Deslizamos todos. Conjugação do verbo em todos os tempos e pessoas. E um deslize, quem dele diz mal? Não coisa a eito, sem gosto ou indefinição. Mas um DESLIZE. Consciente, emotivo, um momento. A dois? Tanto melhor...

Publicado por: Tati às agosto 2, 2006 10:00 PM

Um DESLIZE! Parece-me tão bem! E então conjugado, em todos os tempos, na primeira pessoa do plural: nós delizámos, nós deslizamos, nós deslizaremos... dá-nos uma sensação agradável de partilha da aventura. O terreno pode ser desconhecido, com a certeza porém (se a coisa for a preceito)que se alguém se magoar no caminho haverá a mão do outro para ajudar a recuperar o equilíbrio.

Publicado por: adalberth às agosto 2, 2006 10:54 PM

Eu não gosto nada da palavra deslize. Ou melhor, não gosto nada de escorregar. Não gosto da palavra aventura. Neste contexto. E na minha relação mais longa, mais madura, tanto eu como a minha parceira tínhamos decidido que poderíamos ter outros parceiros sexuais, se o endêndessemos. Não gosto de moralizar-me a mim, muito menos aos outros. Mas o que gosto menos ainda é quando ao escrever sou excessivo, perco o propósito do que estou a fazer, reduzo, REDUZO pessoas a formatos. E já não sei o que digo, nem para onde me dirijo. Isso é que não gosto mesmo nada. E é o que aconteceu ali em cima. Desculpa quando ocupo a tua caixa de comentários com palavras que não servem para nada. Um abraço terno, se algum dia ainda leres isto, e para outra pessoa que o faça, se o fizer, nuno.

Publicado por: troblogdita às agosto 4, 2006 04:16 PM

Meu caro Nuno,

deslizar na escrita é gosto que em ti prezo, sabes disso. Não mudes nada. Perfeito é assim. Beijinho.

Publicado por: Tati às agosto 6, 2006 10:41 PM

I hope that you liked my painting.
Regards,
Peter Buddle

Publicado por: Peter Buddle às novembro 12, 2006 10:51 PM

Comente




Recordar-me?