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agosto 18, 2006
SENHORAS DONAS REFORMADAS

Beryl Cook
Foram professoras primárias ou liceais, funcionárias administrativas, enfermeiras, ou são abastadas donas de casa. Chegam em bandos ao café. Ocupam mesas encostadas e colam as cadeiras à medida que novas aves (galinhas?) procuram poleiro. Viúvas, casadas, solteiras ou divorciadas. Em comum a idade – acima dos quarenta e cinco. Senhoras de bom nome e língua costureira passam a pente de dentes finos quem do café se abeira. Arranjam-se como se o homem da vida delas surgisse em contraluz e fosse direito a uma elevar o rosto que, pelo magnetismo sexual dele, levitaria. De mãos dadas bateriam asas rumo ao sétimo céu. Jamais aconteceu; porém, desistente, nem uma.
Conhecido que entre sem distribuir sorrisos e cumprimentos e beijinhos simulados e ser alvo do escrutínio da cabeça aos pés será impiedosamente acusado de falta de polimento ou de baldes de chá em criança. Não arrisco. A estadia é curta e não tenho como prioridade deixar rasto de antipatias. Aliás, a justiça obriga à lembrança do respeito e dedicação que sempre reservaram à família - se há qualidade que prezo é a gratidão. O sorriso e um bom dia são faceis, converseta é que não. Misterioso é o modo que o bando arranjou de obter reformas antecipadas. Para lá das banalidades dos dias, têm recursos e tempo para ir ao cabeleireiro e às compras a Coimbra. Viajam dentro e fora do país. Todas juntas ou em fracções. O Estado, generoso, paga. Pagamos todos - os cabeleireiros, as compras, a ginástica da língua e o viajar. Abençoada Segurança Social que tais milagres faz!...
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Publicado por Teresa C. às agosto 18, 2006 09:28 AM